Paris - O Protocolo de Kyoto, cuja ratificação foi aprovada ontem pela Duma (câmara baixa do Parlamento russo), é um acordo extremamente exigente que afetará em cheio as economias ocidentais e mudará progressivamente o estilo de vida de seus habitantes. ''É talvez o acordo econômico mais ambicioso já alcançado com a tutela das Nações Unidas'', avaliou Michael Zammit Cutajar, ex-secretário-executivo da ONU encarregado do tema.
A redução de gases causadores do efeito estufa recomendadas pelo protocolo ''afetarão os setores da energia e do transporte e, portanto, atingirão em cheio as economias dos países industrializados'', acrescentou um artigo a ser publicado, ao qual teve acesso à AFP.
Os gases causadores do efeito estufa, particularmente o CO2 (gás carbônico), são liberados na atmosfera, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, ou seja, carbono, petróleo e gás.
Portanto, resultam de todas as atividades humanas, particularmente a indústria, a moradia e os combustíveis usados no transporte. É algo que todo mundo usa, seja para aquecimento, para produzir eletricidade ou viajar de carro ou avião.
Os Estados Unidos rejeitaram o protocolo de Kyoto em 2001, três anos e meio depois de sua adoção na antiga capital imperial japonesa. ''Basearam sua negativa na dificuldade de a população aceitar as mudanças em seu estilo de vida, necessária para consumir menos combustível'', afirmou o especialista francês Paul Watkinson ao jornal Les Echos.
Após a adoção de Moscou, indispensável desde que os Estados Unidos se retiraram e uma vez que a ONU registrar a ratificação, o protocolo deverá entrar em vigor a princípios de 2005.
O tratado exige a 38 países ocidentais e do leste europeu que até 2012 reduzam em 5,2% suas emissões de CO2 e outros tipos de gases que provocam o aquecimento do planeta em relação aos níveis de 1990.
Na prática, como os Estados Unidos emitem mais da terça parte de CO2 dos países industrializados (e a quarta parte de todo o planeta), os demais países terão que reduzir suas emissões globais em torno de 3% e até mesmo em apenas 2%, segundo especialistas da Agência Internacional de Energia, já que as regras de aplicação do protocolo recém-negociadas são mais flexíveis.
Mas nem por isso o esforço será menor para a maioria dos interessados, visto que as emissões de CO2 aumentam em relação direta ao crescimento econômico. Canadá e Japão, por exemplo, tiveram em 2002 um aumento em suas emissões, devido a uma boa conjuntura econômica, enquanto Kyoto exigia destes países uma redução de 6%.
No mesmo ano, os quinze países-membros da União Européia (UE) reduziram oficialmente suas emissões globais em 2,9%, primeiro porque já estavam fazendo esforços neste sentido mas, sobretudo devido ao estancamento econômico da última década.
Mas a tarefa será, na verdade, mais fácil do que parece. Se for muito caro reduzir as emissões, os países comprarão quotas de países menos poluentes. Os maiores vendedores serão os países europeus do antigo bloco comunista e particularmente a Rússia, que têm uma grande folga desde que o fechamento e suas fábricas poluentes, na década de 90.

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