São Paulo - A Rússia pretende apresentar uma resolução na Assembleia Geral da ONU que rejeita a adoção de sanções unilaterais entre os países membros da entidade, disse ontem o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Segundo o chanceler, não se trata, no entanto, de uma proposta de proibição. ‘‘Não é nada de proibir. Há uma resolução, creio que é intenção da Rússia apresentar que desaconselha (...), que é um termo muito mais fraco do que proibir, porque não há a possibilidade legal [de proibição]’’, disse Amorim.
  Segundo o ministro, a intenção é ‘‘comentar que não é conveniente, sobretudo se tratando de um assunto que esteja sendo objeto de análise do Conselho, ser objeto de sanções unilaterais’’. ‘‘Então pra que serve o Conselho de Segurança, se tudo pode ser resolvido unilateralmente?’’, questionou Amorim. O assunto foi tratado ontem durante a reunião ministerial dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China).
  Após a aprovação de nova rodada de sanções ao Irã no órgão em junho, EUA e aliados aprovaram medidas unilaterais para aumentar o cerco ao regime iraniano devido ao seu programa nuclear - que o Ocidente suspeita ter fim militar, o que o Irã nega.
  No último domingo, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, voltou a negar que seu país tenha a intenção de construir uma bomba atômica. O líder disse ainda que inspetores da ONU ‘‘nunca apresentaram provas’’ de que Teerã pretenda obter uma arma nuclear e que as sanções impostas pelos EUA e pela ONU devido ao programa iraniano são ‘‘ineficazes’’. Para ele, uma nova rodada de sanções contra seu país seria inútil. ‘‘Se elas fossem efetivas, não estaríamos sentados aqui neste momento’’, disse.
  O Conselho de Segurança da ONU já impôs quatro rodadas de sanções contra Teerã para pressionar o governo de Ahmadinejad a suspender o enriquecimento de urânio e voltar às negociações com seis países - EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha - sobre suas ambições nucleares.

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