Rússia e os EUA anunciam acordo
Associated Press
Depois de vários dias de tensão e suspense, Estados Unidos e Rússia chegaram ontem em Helsinque, Finlândia, a um acordo sobre a participação de tropas russas nas forças internacionais de paz para Kosovo (Kfor), informaram os chanceleres dos dois países - Madeleine Albright e Igor Ivanov.
Pelo entendimento alcançado, 3 mil soldados russos vão integrar-se à Kfor em três setores: francês, alemão e americano. Os russos manterão o controle terrestre do Aeroporto de Slatina (em Pristina, capital de Kosovo), ocupado por 200 pára-quedistas há uma semana, antes das forças da Otan, numa operação que surpreendeu o mundo e deu como fato consumado a presença russa na região. O comando das operações aéreas ficará a cargo da Otan. Tanto no controle aéreo como no terrestre, as unidades da Kfor terão livre trânsito garantido.
Mil e quinhentos soldados russos serão distribuídos na região controlada pelos EUA (sul de Kosovo) e os demais serão deslocados para as zonas francesa e alemã (norte). Nos bolsões que ficarão sob controle russo - localizados nos setores francês e alemão -, as unidades russas serão mescladas com dois batalhões, de 150 homens cada, um francês e outro alemão. Isso para afastar a idéia de uma região controlada exclusivamente pelos russos, o que, segundo a Otan, poderia estimular uma futura partilha da província sérvia.
As tropas russas servirão sob controle e comando russos mas a Rússia irá trabalhar com os comandantes da Otan nos setores definidos.
A estrutura de comando seguirá o modelo adotado na Bósnia-Herzegovina - as chamadas forças de estabilização (Sfor). O Exército russo manterá um oficial no QG da Kfor, em Pristina, e outro no QG da Otan, em Bruxelas. A condução política da missão ficará a cargo do conselho permanente conjunto Otan-Rússia, criado em 1997 por acordo entre a aliança atlântica e Moscou.
Com o ELK tentando expandir sua presença na província, soldados de paz da Otan confiscaram ontem armas de rebeldes e prometeram aumentar a presença policial nas ruas a fim de reforçar a autoridade da Otan e tornar a turbulenta província segura para os sérvios que estão fugindo aos milhares. Sérvios denunciaram ataques do ELK em toda a província, e soldados de paz alemães resgataram 15 ciganos espancados e albaneses étnicos no que eles disseram poderia ser uma câmara de torturas do ELK para supostos colaboradores.





