Rússia e China estudam nova aliança
Associated Press
De Bishkek, Quirguistão
A Rússia e a China querem formar uma aliança mais próxima a fim de contrabalançar a predominância global dos EUA, declararam ontem os presidentes dos dois gigantes orientais. Boris Yeltsin, da Rússia, e Jiang Zemin, da China, reuniram-se separadamente ontem antes de participar de uma cúpula de cinco nações no Quirguistão, uma ex-república soviética da Ásia Central. A cúpula teve como objetivo aumentar a estabilidade ao longo da extensa fronteira da China com a Rússia e três outras ex-repúblicas soviéticas.
Yeltsin voltou a defender fortes laços com a China a fim de conter a influência dos EUA nos assuntos internacionais. Moscou tornou-se ainda mais determinado em sua disposição de forjar novas alianças no Oriente e na Ásia depois dos ataques aéreos da Otan contra a Iugoslávia, aos quais a Rússia se opôs determinadamente.
A atual cúpula está sendo realizada nas condições de uma agravada situação internacional, disse Yeltsin. Algumas nações estão tentando construir uma ordem mundial que seria conveniente apenas para elas, ignorando que o mundo é multipolar. Jiang fez declarações semelhantes em seu discurso. Alguém está tentando criar um mundo unipolar... Intrometer-se nos assuntos internos tendo como pretexto os direitos humanos... Desacreditar as atuais normas internacionais. Isto é perigoso, advertiu. O processo de se formar uma mundo multipolar é difícil, mas tem se tornado uma tendência irreversível, afirmou.
Jiang não mencionou os Estados Unidos nominalmente, mas ele parecia estar se referindo a Washington quando disse que existia uma nova exibição de hegemonia baseada na força, e ela já atraiu preocupação na cena internacional.
A Rússia e a China viveram rixas no final da década de 50, e a fronteira sino-soviética foi palco de grandes tensões. Mas depois do colapso da União Soviética, as relações entre os dois países melhoraram consideravelmente.
A China tem se tornado um dos maiores parceiros comerciais da Rússia e é um grande cliente de sua decadente indústria militar, comprando bilhões de dólares em jatos, mísseis e submarinos.
O encontro de cúpula das cinco nações, incluindo também Quirguistão, Casaquistão e Tajiquistão, foi o quarto do tipo desde abril de 1996, quando os líderes reuniram-se em Xangai, China, e concordaram com uma série de medidas para aumentar a confiança ao longo das fronteiras.
Os cinco líderes assinaram um acordo de cooperação no combate à criminalidade e tráfico de drogas nas fronteiras. Por acordos anteriores, os países reduziram a presença de tropas e limitaram as atividades militares ao longo das fronteiras, que se estendem por mais de 7 mil quilômetros.Boris Yeltsin defende mundo multipolar em reunião com Jiang Zemim para contrabalançar hegemonia global dos Estados Unidos
France PresseGigantesBoris Yeltsin (e) e Jiang Zemim no Quirguistão: Alguém está tentando criar um mundo unipolar...





