Rússia e Bielorrússia se unem
Françoise Michel
France Presse
De Moscou
Os presidentes da Rússia, Boris Yeltsin, e da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, firmaram um tratado que une as duas antigas repúblicas soviéticas, num clima de grande tensão entre Moscou e os ocidentais. Esta união não está dirigida contra ninguém, nem sequer contra (Bill) Clinton, declarou Yeltsin durante a cerimônia de assinatura do documento, no Kremlin, em presença de Lukashenko.
O tratado, apoiado pelos nostálgicos da ex-URSS, provoca inquietação no Ocidente, sobretudo devido ao caráter autoritário do regime de Lukashenko, cuja legitimidade é questionada pela oposição, já que seu mandato expirava em meados deste ano e foi prolongado até 2001, por um referendo de 1996.
O presidente russo expressou o desejo de que a Ucrânia ingressasse na união, afirmando que teria que fazer mais esforços para atraí-la.
O presidente da Ucrânia, Leonid Kuchma, voltou a excluir ontem que seu país ingresse na união, mas preconizou uma cooperação com os dois países num plano de igualdade.
O tratado, cujo conteúdo exato não é conhecido, é o último de uma longa série de documentos que os dois países firmaram, desde a queda da ex-União Soviética, em 1991, para favorecer sua aproximação.
Mas até hoje, a União existe apenas no papel. Sua aplicação levará muitos anos e criará numerosos problemas jurídicos, segundo os especialistas. Por outro lado, as diferenças econômicas entre os dois países são importantes. A economia russa está tentando se recuperar, depois do crack financeiro de agosto de 1998 e ruiria, sob o peso de uma reunificação. A economia bielorrussa está condicionada pelo modelo soviético e atravessa uma crise profunda.
O tratado de união entre a Rússia e a Bielorrússia foi firmado em 8 de dezembro, uma data simbólica, já que em 8 de dezembro de 1991 a Bielorrússia e a Rússia constataram o fim da União Soviética.
A opinião pública russa é favorável (68% a favor, segundo uma recente pesquisa) à união, assim como os comunistas, que constituem a primeira força na Duma (Câmara Baixa do Parlamento russo) e provavelmente continuarão sendo depois das próximas eleições legislativas, fixadas para 19 de dezembro. A Duma se reuniria ontem, para fixar a data de ratificação desse documento, que pode ser em 13 de dezembro, segundo a agência Interfax.





