HELSINQUE - Bill Clinton e Boris Yeltsin não chegaram a acordo sobre a ampliação da Otan aos países do leste europeu, mas concordaram que esta divergência não afetaria a cooperação em outros campos e aprovaram cinco declarações comuns. Um dos resultados mais importantes do encontro foi o anúncio, pelo presidente Bill Clinton, do ingresso da Rússia no Grupo dos 7 (que passariam a 8) países mais industrializados do Ocidente.
A primeira declaração diz respeito à segurança européia, a segunda aos ‘‘parâmetros de uma futura redução de armas nucleares’’ (tratado Start), a terceira, aos mísseis antibalísticos (tratado ABM), a quarta às armas químicas e a quinta às ‘‘iniciativas econômicas’’ norte-americanas em favor da Rússia.
A possível entrada na Otan dos países que antes eram satélites de Moscou seria ‘‘um grande erro’’, afirmou o presidente ruso. Clinton, no entanto, confirmou que o processo de ampliação da Aliança ‘‘continuarᒒ apesar da oposição de Moscou.
Os dois países também conseguiram definir finalmente os parâmetros para distinguir os sistemas de defesa contra mísseis estratégicos dos sistemas contra mísseis táticos, uma divergência que era objeto de intensas negociações entre os dois países há vários anos.
Mas países anunciaram sua intenção de realizar negociações sobre um terceiro tratado de redução de armas estratégicas (Start III). Este tratado teria por objetivo reduzir, até 31 de dezembro de 2007, o número de ogivas nucleares sobre mísseis estratégicos de cada país entre 2.000 e 2.500.
MaioresO presidente norte-americano explicou que isto representará uma redução de 80% do arsenal nuclear dos dois países em comparação a seu nível máximo no auge da guerra fria, no final dos anos 60, antes do início das negociações Start.
Yeltsin se comprometeu a fazer todo o possível para conseguir a ratificação na Duma do tratado Start II, assinado pelos dois países em 1993, que a câmara baixa do Parlamento russo considera desvantajoso para a Rússia.
No setor econômico, os EUA estão dispostos a dispor de até US$ 4 bilhões de investimentos privados na Rússia. Clinton anunciou que os EUA e seus parceiros do G-7, o grupo dos sete países mais industrializados (Alemanha, Canadá, França, Itália, Grã-Bretanha, Japão e EUA) decidiram acolher a Rússia. O G-7 se transformará, então, em junho próximo em Denver, em oito, satisfazendo assim uma antiga reivindicação de Yeltsin.
Bill Clinton partiu de Helsinque para Washington no avião presidencial Air Force One ontem mesmo; Yeltsin deve retornar a Moscou hoje, após conversações bilaterais com o anfitrião da cúpula, o presidente da Finlândia Martti Ahtisaari.

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