Rússia diz que guerra está por terminar
Agência Estado
De Moscou
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, assegurou ontem que a campanha militar contra os rebeldes muçulmanos na Chechênia está terminando. A declaração do chefe do governo coincidiu com informações amplamente divulgadas pelas agências noticiosas do país de que os generais russos receberam ordens expressas para libertar Grozny, a capital chechena.
Não vamos, contudo, fixar uma data para o fim do conflito, acrescentou Putin depois de uma reunião com o presidente Boris Yeltsin, no Kremlin. Segundo repórteres da agência Interfax, o presidente estava eufórico mais em consequência dos resultados das recentes eleições parlamentares russas do que propriamente com as perspectivas de encerramento do conflito armado no Cáucaso. Foi uma vitória das mais importantes, disse ele referindo-se ao fim do controle do Parlamento pelos ex-comunistas.
Putin também não escondia uma grande satisfação com a decisão de um grupo de deputados independentes de apoiar seu governo. Não vamos mexer no atual gabinete, prometeu para, em seguida, retomar, com os jornalistas, a questão da Chechênia. Estamos adotando todas as providências possíveis para reduzir as baixas nas tropas federais.
Segundo o prefeito de Grozny, Lecha Dudayev, a cidade foi submetida ontem ao mais intenso bombardeio de artilharia dos últimos dez dias. Milhares de projéteis estão caindo por toda parte, ferindo e matando muitos civis. Estima-se que entre 8 mil e 35 mil pessoas ainda estejam na capital chechena.
Os rebeldes informaram ontem ter cercado um grupo de mil pára-quedistas russos, que desceram nas encostas das montanhas. Os separatistas chechenos asseguraram que são elevadas as baixas russas.
O intenso bombardeio a que são submetidos os pára-quedistas impediriam ações de apoio logístico, como o lançamento de suprimentos e munições por helicópteros do Exército. Essa região, conhecida como Garganta de Shatoi, é de grande importância estratégica. Seu controle permite livre acesso a uma das principais rotas para o sul do Cáucaso, onde os rebeldes mantêm suas bases.
Putin desmentiu ontem que as forças russas tenham perdido mais de cem homens nos últimos cinco dias em Grozny, como afirmaram militares russos à agência AVN. De acordo com a agência, os corpos dos mortos tinham sido entregues à principal base militar do norte do Cáucaso, em Mozdok. É uma estupidez total que não tem qualquer fundamento, declarou. Não há operação de grande envergadura em Grozny, acrescentou.





