Mundo vê com receio a garantia de especialistas russos de que não há perigo de vazamento de material radioativo do submarino afundado no mar de Barents
Os dois reatores nucleares a bordo do Kursk foram programados para se desligar automaticamente dentro de um minuto depois de um desastre, garantiram ontem especialistas russos, enquanto aumentavam as preocupações mundiais em relação a um vazamento radioativo no submarino afundado.
Autoridades russas têm insistido desde o acidente de 12 de agosto que os reatores estão seguros, e sensores noruegueses que têm monitorado diariamente o local da tragédia não perceberam qualquer aumento nos níveis de radiação.
Mas como a maioria dos outros comunicados oficiais da Rússia sobre o afundamento e os fracassados esforços de resgate da tripulação de 118 homens provaram-se falsos ou contraditórios, persistem as dúvidas sobre suas garantias a respeito dos reatores nucleares. Ontem, especialistas e altas autoridades tentaram afastar essas suspeitas.
‘‘Os reatores se desligaram dentro de um minuto depois da catástrofe, e seus sistemas de segurança previnem completamente qualquer perigo de um desastre radioativo’’, disse Alexander Kiryushin, que chefia uma equipe que projetou os reatores nucleares do Kursk.
Ele afirmou numa entrevista coletiva que o modelo OK-650 do reator usado no Kursk dispõe de um sistema de segurança automático que é ativado sem o envolvimento da tripulação mesmo em condições extremas.
Os reatores a bordo são cilindros espessos repletos de pequenos tubos e fios responsáveis por seu controle e esfriamento. Espessas paredes de aço protegem o núcleo do reator. Mas a força da explosão que afundou o Kursk foi suficiente para entortar a forte estrutura de aço do submarino.
‘‘Os níveis de radiação agora são normais e não temos preocupações’’, disse ontem o primeiro-ministro Mikhail Kasyanov.
O Comitê Meteorológico russo anunciou ontem que estava abrindo na área onde o Kursk afundou um novo posto de monitoramento que irá checar os níveis de radioatividade.
A Rússia está negociando com companhias norueguesas e holandesas o içamento do Kursk e o resgate dos corpos. Kiryushin e outros especialistas afirmam que tal projeto só poderá ser colocado em ação depois de uma completa avaliação dos danos na nave, a fim de evitar que o corpo do submarimo se rompa enquanto esteja sendo levantado e haja vazamento de material radioativo.
A Marinha e o governo estão empenhados em restaurar sua imagem entre os russos depois da revolta pública provocada pela forma lenta e confusa como reagiram ao desastre.
As famílias da tripulação receberam ontem uma compensação de 720.000 rublos (US$ 25.900) por marinheiro morto durante uma reunião com a vice-primeira-ministra Valentina Matviyenko. A soma é levemente superior aos 120 meses de soldo prometida dias atrás pelo presidente Vladimir Putin.
‘‘Todos nós estamos profundamente entristecidos com essa tragédia’’, afirmou ela aos consternados familiares.
O presidente do Parlamento, Gennady Seleznyov, anunciou também que as famílias terão moradias garantidas, uma carência crônica entre os militares. Seleznyov fez o anúncio depois de reunir-se com o presidente Putin.
Ainda não foi determinada a causa da explosão que condenou o Kursk. Observadores acreditam em algum defeito interno e uma explosão no compartimento de torpedos.
Entretanto, autoridades russas continuam a defender a teoria de que o submarino colidiu com outra nave estrangeira.

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