A Rússia condenou ontem o teste norte-americano do sistema nacional de defesa antimísseis (NMD, sigla inglesa), realizado com sucesso sábado à noite, e advertiu que isso pode significar o fim de todos os acordos anteriores conseguidos entre os dois países para o desarmamento nuclear.
‘‘Estamos mais uma vez diante de uma questão básica: por que temos de levar as coisas até o ponto de colocar em risco a segurança mundial em matéria de desarmamento nuclear e de não proliferação, no centro da qual se baseia o acordo ABM de 1972?’’, questionou o porta-voz do ministro russo de Relações Exteriores, Alexander Yakovenko.
Os Estados Unidos realizaram ontem com sucesso a interceptação de um míssil intercontinental com ajuda de outro míssil, dentro do sistema nacional de defesa antimíssil NMD.
O míssil continental modificado Minutman foi lançado da base de Vandenberg, na Califórnia, às 19h40 locais, sendo alcançado depois por um ‘‘veículo destrutor’’ lançado por um segundo míssil do atol de Kwajaliein (ilhas Marshall).
O míssil-objetivo, lançado com 40 minutos de atraso em relação ao programa, foi acompanhado durante sua trajetória sobre o Pacífico por uma rede de vigilância composta de radares e satélites.
Foi o quarto teste de interceptação do projeto norte-americano tendente a desenvolver um escudo antimíssil. Duas das três provas anteriores fracassaram.
Apesar das objeções internacionais, o presidente George W. Bush insiste na idéia de que seu país deve continuar com o projeto de defesa antimísseis, que custa cerca de 60 bilhões de dólares, para proteger os interesses dos Estados Unidos contra ataques dos países considerados por Washington como ‘‘estados párias’’, dentre os quais estão incluídos a Coréia do Norte, o Irã e a Líbia.

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