Rússia cerca últimos rebeldes chechenos
France Presse e
Associated Press
De Moscou
As forças russas apertaram neste sábado seu cerco em torno de Chatoi, situada no coração do desfiladeiro de Argun, no sul montanhoso da Chechênia, último foco da resistência dos combatentes chechenos após a queda de Grozny.
O Estado-Maior russo também revelou ontem que suas forças repeliram várias tentativas dos combatentes chechenos de escapar do cerco a Chatoi. Os russos tomaram ainda dois pontos elevados que dominam a localidade, onde 3 mil rebeldes ainda resistem.
A artilharia russa prossegue castigando a região de Chatoi, especialmente as localidades de Jarsenoi (oeste), Selmentauzen (norte), Ulus-Kert (nordeste) e Nikaloi (sul).
Os militares russos destacaram que pouco a pouco aperta-se o cerco a Chatoi, com a queda das localidades próximas, revelou a agência Interfax.
A região de Itum-Kale, entre Chatoi e a fronteira com a Geórgia, no sul da Chechênia, também já está sob o controle dos russos. Segundo a Interfax, os rebeldes chechenos fugiram para o território da Geórgia.
Os combates de ontem no sul da Chechênia deixaram 40 mortos, segundo os militares russos, que explicaram que os rebeldes empregam a tática de guerrilha, organizando ataques de pequenos grupos e minando as estradas da região.
Um grupo de direitos humanos internacional afirmou ontem que reuniu evidências médicas documentando as atrocidades cometidas pelos soldados russos contra civis chechenos, incluindo execuções sumárias, prisão ilegal e tortura.
Os dados preliminares foram divulgados ontem pelo grupo Médicos pelos Direitos Humanos, contando relatos e dados colhidos na Repúbllica da Ingushétia, para onde fugiu grande parte da população chechena durante a campanha de bombardeios dos militares russos.
A organização entrevistou 326 refugiados e quase metade disse ter visto civis sendo executados pelos russos. As acusações seguem-se a outras denúncias similares divulgadas esta semana por grupos de direitos humanos e que têm sido contundentemente negadas pela Rússia.
Em Moscou o Kremlin anunciou também ontem que o comissário da organização Direitos Humanos da Europa, Alvaro Gil-Robles, foi autorizado pela chancelaria russa a visitar a Chechênia.
A permissão para a viagem do enviado europeu foi dada após protestos no mundo todo pelas imagens divulgadas pela TV alemã de corpos sendo enterrados em vala comum ou arrastados por caminhões.
Muitos corpos estavam mutilados ou tinham sinais de tortura. A imprensa da Rússia insiste em que o modo como as imagens foram apresentadas distorce os fatos.
Os corpos, segundo o jornal Izvestia, estavam sendo enterrados temporariamente para posterior identificação.
Gil-Robles deve ir a um campo de refugiados na Ingushétia e a Grozny, capital chechena controlada pelas tropas russas.
Ainda ontem, a polícia do Daguestão informou que o jornalista russo Andrei Babitski, que anteontem ligou para a mulher depois de passar dias sem comunicar-se com parentes e amigos, está detido por utilizar um passaporte falsificado.





