Rússia arma operação contra islâmicos
Associated Press
De Moscou
O Kremlin confirmou que helicópteros russos dispararam foguetes ontem contra posições dos rebeldes chechenos que haviam invadido anteontem várias aldeias do sul do Daguestão. O porta-voz do governo, Alexander Mikhailov, disse à agência de notícias Itar-Tass que o trabalho necessário está sendo realizado, até mesmo com o uso de artilharia e disparos de mísseis contra o grupo de bandidos.
Ele acrescentou que o primeiro-ministro russo, Serguei Stepashin, havia mantido um encontro com o ministro do Interior russo, Vladimir Rushailo, e vários funcionários do Ministério da Defesa, mas que esses não haviam acertado com nenhuma outra medida militar concreta. Um plano concreto de ação militar não foi considerado, disse Mikhailov.
Helicópteros e baterias de artilharia de longo alcance lançaram foguetes contra os extremistas islâmicos, segundo fontes militares em Majachkala - capital da república russa do Cáucaso, na fronteira com a Chechênia separatista -, citadas pela Itar-Tass.
Os russos atacaram aldeias fronteiriças daguestanes e nas proximidades da aldeia chechena de Kenhi, também situadas ao longo da fronteira administrativa entre a República do Daguestão e a República da Chechênia, disse Saud-Selim Abdulmuslimov, porta-voz do presidente checheno, Aslan Maskadov.
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, o general Anatoli Kvashnin, que viajou para o Daguestão, afirmou que as forças russas estavam fazendo todo o possível para evitar que a população civil fosse atingida. Ele acrescentou que os bandidos deveriam ser liquidados.
Mais de dois mil habitantes, a maioria mulheres e crianças, fugiram em estado de pânico das aldeias ocupadas militarmente pelos guerrilheiros, que pretendem criar uma república islâmica, informaram ontem os meios de comunicação russos.
Há várias semanas vêm ocorrendo ataques a postos russos no Daguestão, que deixaram numerosos mortos e feridos.
No sábado, centenas de combatentes, supostamente da milícia Wahadi, invadiram as aldeias daguestanesas de Etcheda, Ansalta e Rajata, na região da montanha de Botlijsk, na fronteira com a Chechênia. Segundo estimativas, o número de rebeldes nessa região de difícil acesso oscila entre 500 e dois mil.
A invasão dos rebeldes islâmicos ao Daguestão teria sido dirigida pelo comandante checheno Shamil Bassaiev e o jordaniano Jatab, que conta com vários acampamentos na Chechênia.
Tanto Bassaiev - que comandou a tomada de reféns na sulista cidade de Budjonnovsk em 1995 - como Jatab querem formar uma república islâmica na região do Cáucaso, segundo diversas testemunhas.
As populações da Chechênia e do Daguestão são majoritariamente de muçulmanas.
Os rebeldes são combatentes da Arábia, Chechênia e Ásia Central, mas também integrantes de diferentes grupos étnicos do Daguestão, segundo informações de altos oficiais russos.
A Rússia manteve com a Chechênia uma guerra de 21 meses, entre 1994 e 1996, que deixou milhares de mortos. O Exército russo retirou-se da Chechênia, mas Moscou nunca reconheceu formalmente sua independência.





