A Rússia interveio diretamente junto ao presidente sérvio, Slobodan Milosevic, para evitar um ataque da Otan na Sérvia, mas o apoio de Moscou a Belgrado no caso do Kosovo parece limitado devido ao apoio financeiro que os russos esperam de seus sócios ocidentais.
O governo russo adotou um tom muito duro para advertir a Otan contra qualquer ataque militar na Sérvia sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU, o qual, segundo Moscou, constituiria ‘‘uma grosseira violação da Carta das Nações Unidas e iria deteriorar o sistema de relações internacionais contemporâneas’’. Ao mesmo tempo, Moscou enviou precipitadamente a Belgrado uma expressiva delegação: o ministro das relações exteriores, Igor Ivanov, com uma mensagem pessoal do presidente russo, Boris Yeltsin, a Milosevic, o ministro da defesa, Igor Sergueiv, e o primeiro adjunto do chefe dos serviços secretos externos, Alexei Chtcherbakov.
‘‘Uma ingerência militar no conflito interno iugoslavo’’ não apenas não solucionaria o problema da província sérvia do Kosovo, mas colocaria em perigo a segurança das forças internacionais na Bósnia e as perspectivas de estabilização nos Balcãs, destacou o comunicado do governo. Enquanto a comunidade internacional vê Milosevic como o principal ou como único culpado, Moscou criticou tanto uns como outros, reprovando os sérvios de demorarem a tomar as medidas necessárias a uma solução política, e os albaneses de manterem sua aspiração separatista e rechaçarem o diálogo.
Moscou também exortou as duas partes, e não unicamente os sérvios, a ‘‘respeitarem plenamente’’ as resoluções do Conselho de Segurança. ‘‘Se o Conselho de Segurança tomar a decisão de uma intervenção militar, a Rússia usará sem dúvida seu direito de veto. Por esta razão, para evitar esta situação, a decisão será seguramente tomada sem o voto do Conselho e, em caso de bombardeio, a Rússia protestará e as coisas ficarão a풒, estimou em Moscou um especialista na ex-Iugoslávia, Viatcheslav Terekhov.

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