France PresseYeltsin (D) e Aziz, em MoscouA Rússia anunciou ontem que preparou, com o Iraque, um plano para encerrar pacificamente a crise entre Bagdá e a ONU, depois de inesperadas reuniões do presidente Boris Yeltsin e do chanceler Yevgueni Primakov com o vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, em Moscou.
‘‘Foi feito um programa específico que permite evitar um confronto e avançar para liquidar a crise, obviamente com o Iraque cumprindo as resoluções do Conselho de Segurança da ONU’’, disse Primakov. ‘‘Ao mesmo tempo, é necessário dar andamento ao trabalho da Comissão Especial da ONU (Unscom).’
Os seis inspetores americanos da Unscom (encarregada de supervisionar o desmantelamento dos arsenais iraquianos de destruição em massa) foram expulsos pelo Iraque na semana passada, levando a ONU a retirar todos os demais.
Yeltsin determinou que Primakov se reúna ou converse por telefone com os chanceleres dos outros países membros permanentes do Conselho de Segurança (Grã-Bretanha, França, China e EUA) para discutir o plano. Segundo a agência Itar-Tass, o encontro dos chanceleres pode ser hoje em Genebra.
Tariq Aziz não deu detalhes das conversações. Ele informou apenas que entregou a Yeltsin uma carta na qual o presidente iraquiano, Saddam Hussein, pede ajuda para que seja alcançada ‘‘uma solução política equilibrada’’ para a crise e levantado o embargo econômico internacional contra o Iraque, em vigor desde 1990.
Um funcionário inglês indicou que a comissão da Unscom (acusada pelo Iraque de ser dominada pelos EUA) pode ser alterada: ‘‘Não negociaremos com Bagdá a composição da comissão, mas, para nós, não haveria problema se um país decidisse aumentar sua participação.’
Os EUA reiteraram a disposição de ampliar o acordo que permite que o Iraque exporte uma quantidade limitada de petróleo para comprar alimentos, mas também aumentaram a pressão sobre Saddam - decidindo enviar mais 45 aviões (incluindo bombardeiros B-52) para reforçar suas forças no Golfo.
Ao mesmo tempo, um avião espião americano U-2 voltou a sobrevoar o Iraque, sem ser atacado. Segundo a agência iraquiana Ina, o U-2 voou fora do alcance de baterias antiaéreas. A vigilância das zonas de exclusão aérea no norte e no sul também continuou sem problemas.
Armas químicas O Iraque teria condições de lançar armas químicas ou biológicas ‘‘numa questão de dias’’, segundo relatório do governo britânico divulgado ontem. O documento, revelado pela agência Press Association em Londres, diz que em poucos meses o Iraque poderia reconstituir seu arsenal de mísseis e usá-los para lançar ogivas químicas e biológicas contra Israel ou a Arábia Saudita.
O relatório não descarta a possibilidade de o Iraque ter conseguido esconder alguns de seus mísseis das equipes de inspetores da ONU, mas ressalva que seria difícil esconder a produção em grande escala de armas químicas. A atuação das equipes de inspetores da ONU está no centro das tensões militares entre Iraque e EUA nas últimas semanas.

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