São Paulo - As forças armadas russas alertaram aos EUA ontem que usarão força militar em resposta às violações do cessar-fogo na Síria a partir de hoje, caso Washington se recuse a marcar uma reunião de emergência com Moscou. Tanto o governo de Bashar Assad quanto rebeldes opositores já se acusam mutuamente de violá-lo. O governo americano já declarou que não participará do encontro, proposto pela Rússia, para que os países coordenem ação conjunta contra quem desrespeitar a trégua. Um oficial norte-americano disse que o país está discutindo a questão "conjuntamente" com a Rússia.
O Exército da Rússia diz que os EUA demoram a responder às propostas de Moscou de monitoramento conjunto do cessar-fogo sírio. O general russo Sergei Rudsko declarou na segunda que a Rússia irá usar unilateralmente de sua força porque os EUA se recusaram a uma ação coordenada. "O lado americano não estava pronto para essa discussão em particular e para a aprovação do acordo", disse Rudsko.
O ministro da defesa russo disse que "mais atraso na implementação das leis de resposta às violações do cessar-fogo é inaceitável". "Moradores inocentes morrem diariamente na Síria por conta do conflito."
Na segunda, os EUA responderam que não participarão da reunião de emergência por já estarem lidando com a questão. "Nós vimos a mídia divulgando as preocupações da Rússia sobre o cessar-fogo. Quem esteja fazendo tais declarações deve estar mal informado, pois essas questões já vêm sendo discutidas há muito tempo, e continuarão a serem discutidas, de maneira construtiva [com a Rússia]", disse um oficial norte-americano, anonimamente, por não estar autorizado a fazer declarações públicas sobre o tema.
A Arábia Saudita declarou na segunda apoio à retirada parcial do exército russo da Síria. O país viu a ação como "passo positivo" e espera que ela acelere as negociações de paz com o presidente sírio Bashar Assad para "fazer as concessões necessárias para alcançar a tão almejada transição política na Síria".
O cessar-fogo começou em 27 de fevereiro, mediado pela Rússia e pelos EUA, com adesão de quase cem facções rebeldes. A facção terrorista Estado Islâmico (EI) e a Frente al-Nusra, filial síria da Al-Qaeda, não foram abarcados pelo acordo e poderiam ser alvos de ataques. No dia da implementação do acordo, no entanto, acusações de violação do cessar-fogo já ocorreram.

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