Rússia admite hipótese de atentado
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quinta-feira, 24 de agosto de 2000
Associated Press De Moscou 
Pela primeira vez o Serviço Federal de Segurança (FSB, um dos órgãos sucessores da KGB), admitiu ontem estar investigando a possibilidade de que o acidente com o submarino nuclear Kursk tenha sido causado por um atentado de extremistas ligados aos separatistas chechenos.
O chefe do FSB, Nikolai Petrushev, confirmou à agência russa Interfax que estavam a bordo da nave duas pessoas da república russa do Daguestão, um engenheiro e um militar. Os dois trabalhavam numa empresa daguestanesa especializada na produção de torpedos e não faziam parte da tripulação do Kursk.
Entretanto, Petrushev garantiu que, com base nos dados recolhidos até agora, não acredita-se que o engenheiro esteja implicado no acidente. Na terça-feira, rebeldes chechenos anunciaram em seu site na Internet que um de seus militantes camicase havia explodido o Kursk.
Emocionados familiares jogaram ontem flores ao gélido e cinzento mar de Barents numa homenagem aos 118 homens mortos quando o submarino nuclear em que estavam explodiu e foi a pique.
Enquanto alguns familiares ainda insistiam que queriam que os corpos fossem resgatados antes de prestarem homenagens fúnebres, a maioria seguiu num navio russo até o local onde o Kursk afundou em 12 de agosto. A revolta deles com a tragédia que chocou a Rússia transformou-se em tristeza e resignação.
Mulheres, mães e pais com rostos sombrios se consolavam debruçados no convés, com os olhos fixos no mar. Um padre ortodoxo e um clérigo muçulmano lideraram as orações pelas vítimas, e então os familiares jogaram buquês e coroas de flores, uma delas enviada pelo presidente Vladimir Putin, ao mar. O navio circulou as flores flutuantes antes de retornar ao porto.
Ontem, muitos parentes da tripulação reuniram-se para acompanhar a colocação da pedra fundamental de um monumento em memória ao Kursk na cidade de Vidyayevo, onde o submarino era baseado. Duas mulheres desmaiaram, e várias outras pessoas jogaram-se ao chão, soluçando e beijando a grama. Adeus, meu filho! disse entre lágrimas uma mulher.
Boris Vlasov, um ex-tripulante de submarino que estava ontem no navio dos familiares, lembrou que acompanhou seu filho Sergei até o Kursk quando o submarino partiu para sua última manobra militar.
Ele disse, pai, são só três dias, afirmou Vlasov. Ele disse que preferiu não jogar flores ao mar. Eu quero primeiro ver o corpo de Sergei, explicou.
A Rússia está negociando com companhias norueguesas e holandesas ajuda para içar o submarino e resgatar os corpos. Mas a operação não deve ter início até a primavera (boreal) do ano que vem, disseram autoridades russas.
Militares da Noruega disseram ontem que as informações iniciais dos russos foram tão contraditórias que os noruegueses não estavam certos se as condições eram seguras o suficiente para a equipe de mergulhadores continuasse o trabalho.
Ainda não está claro o que causou a explosão que condenou o Kursk.
Enquanto altos oficiais russos afirmam que a causa mais provável é uma colisão com um submarino estrangeiro, nenhuma evidência concreta foi apresentada. Outros dizem que o cenário mais provável é de um defeito interno e explosão no compartimento de torpedos do Kursk.


