Associated Press
De Istambul
O dia de ontem em Istambul, marcado por duros reveses para os russos, terminou com diplomatas ocidentais anunciando que a cúpula da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) chegou a um consenso sobre seu principal documento, a Carta de Segurança.
A Rússia cedeu à pressão internacional, garantiram diplomatas, mudou de posição e permitiu a inclusão no texto de uma frase acentuando que ‘‘uma solução política é de importância central’’ para resolver a crise na república separatista da Chechênia – alvo de intensos bombardeios das forças russas desde o início de setembro. O país reconheceu também que a OSCE ‘‘pode ter um papel na busca dessa solução política’’.
No entanto, o chanceler russo Igor Ivanov assegurou que o compromisso acertado não significa que haverá mediação ou interferência estrangeira no conflito. Se os termos do documento forem os adiantados por diplomatas e não derem margem a interpretações ambíguas, o desfecho da pressão internacional sobre a questão chechena representa uma derrota para a Rússia.
A abertura do evento pelo dirigente da OSCE, o norueguês Knut Vollebaek, foi um prenúncio do que Yeltsin e a delegação russa ouviriam repetidas vezes ao longo do dia: ‘‘Nós apoiamos a integridade territorial da Rússia. Nós reconhecemos seu direito legítimo de combater o terrorismo, mas os meios têm de ser proporcionais à ameaça’’, salientou Vollebaek, ‘‘que fez referência à violência e terror indiscriminado contra civis inocentes’’.
O presidente russo Boris Yeltsin foi enfático na defesa da questão chechena como assunto interno russo. ‘‘Vocês não têm nenhum direito de criticar a Rússia por causa da Chechênia’’, afirmou. ‘‘Nós somos obrigados a pôr um ponto final na disseminação do câncer do terrorismo. Não haverá negociações com bandidos. Nós precisamos eliminar completamente os grupos de bandidos’’, disse, referindo-se aos rebeldes islâmicos que têm bases na Chechênia e invadiram, em agosto e setembro, a república russa do Daguestão.
Vários líderes criticaram a ação militar russa. ‘‘Se os ataques aos civis continuam o extremismo que a Rússia tenta combater vai apenas intensificar-se’’, disse o presidente norte-americano Bill Clinton, com quem Yeltsin se reuniu depois por uma hora. No fim desse encontro, Clinton disse que não haviam superado as divergências.

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