Rússia aceita ajuda para salvar tripulação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de agosto de 2000
Associated Press e France Presse De Moscou 
Quatro dias depois de o submarino nuclear russo Kursk ter naufragado no mar de Barents, nas proximidades do Círculo Polar Ártico, a Rússia aceitou ontem a ajuda de um antigo inimigo a Grã-Bretanha, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) , numa tentativa desesperadora de resgatar com vida os 118 tripulantes da nave.
Segundo o vice-chefe do Estado Maior da Marinha, Vladislav Ilyin, o presidente russo Vladimir Putin deu a ordem para a aceitação da colaboração externa de onde quer que venha depois de ter conversado ontem por telefone com o presidente norte-americano Bill Clinton, que ligou para ele.
A oferta vinha sendo feita desde segunda-feira, mas os militares do país insistiam dispor de tudo o que era necessário para o salvamento. Na terça-feira, um grupo de almirantes russos foi a Bruxelas, sede da Otan, para analisar as soluções propostas.
Mas é grande a possibilidade de que todos os tripulantes, ou grande parte deles, já estejam mortos. O almirante Vladimir Kuroyedov, comandante da Marinha, informou que os marinheiros e oficiais não enviaram ontem mais sinais de SOS por meio de batidas no casco, em Código Morse, como vinham fazendo até terça-feira.
No entanto, Kuroyedov, que desde o início da operação vinha demonstrando pessimismo e ontem deu declarações otimistas, ressaltou que a tripulação pode ter parado de comunicar-se para economizar ar e por saber que o resgate está a caminho.
Ele ainda afirmou que o oxigênio a bordo pode durar até a semana que vem até anteontem, o almirante dizia que ele se esgotaria amanhã. Já o vice-chefe do Estado-Maior, Vladislav Ilyin, afirmou a uma emissora de tevê russa que houve contato, mas não deu detalhes.
Militares britânicos enviaram ontem a Trondheim, na Noruega, um minissubmarino, denominado veículo de resgate LR5, planejado para resgate em situações como a do Kursk.
O aparelho será conduzido de Trondheim até o local do acidente por um navio, que servirá de base para a operação. O LRS tem um dispositivo que permite acoplá-lo à escotilha de emergência da nave.
Trondheim foi escolhida por seus equipamentos aeroportuários e portuários adaptados às dimensões excepcionais do avião britânico e às operações de transbordo.
O minissubmarino pesa 21 toneladas, mede 10 metros de comprimento por três de altura e três de largura. Seu preço se situa entre cinco e oito milhões de libras (de 7,5 a 12 milhões de dólares).
Embora o equipamento nunca tenha sido utilizado em uma situação real nem testado num navio russo o Ministério da Defesa britânico informou acreditar na viabilidade da operação.
A Rússia ainda solicitou à Noruega que envie mergulhadores capazes de submergir a grandes profundidades. A Marinha norueguesa não conta com tais profissionais, por isso estamos fazendo vários contatos para encontrá-los, destacou um oficial da Noruega.
Uma delegação militar russa é esperada hoje em Bruxelas para consultar especialistas da Otan sobre os meios possíveis para o salvamento.
Ontem, fracassaram duas novas tentativas da Marinha russa para tentar retirar a tripulação do Kursk por meio da acoplagem de uma cápsula à nave, disse um porta-voz da base naval de Severomorsk, a principal da Frota do Norte da Rússia.
Ele disse não ter informações sobre se uma quinta operação já havia sido lançada. Outras duas, realizadas anteontem, também não geraram resultados. As autoridades russas atribuem o fracasso às péssimas condições climáticas na região, assolada por fortes tormentas, e à má visibilidade no fundo do mar.
O comandante Kuroyedov afirmou que a proa do submarino está bastante danificada por causa de uma explosão no primeiro compartimento de torpedos. Várias partes ficaram inundadas e a tripulação desligou os reatores nucleares antes de a embarcação afundar.
Por isso, a nave está sem energia e a renovação do ar foi interrompida. Os militares têm apontado como hipóteses prováveis do acidente a explosão de um torpedo a colisão com um outro submarino ou mesmo uma mina da 2ª Guerra Mundial.
O Kursk não estava equipado com armas nucleares, garante a Marinha. Autoridades norueguesas disseram ontem que testes realizados na água do mar perto do local do acidente não indicaram fugas radioativas.


