Rumsfeld continua na tormenta
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de maio de 2004
France Presse 
Washington - O secretário americano da Defesa, Donald Rumsfeld, denunciado pelo escândalo de torturas no Iraque, começa uma semana difícil para convencer a opinião pública da boa vontade do Pentágono, depois de a revista New Yorker ter revelado que os maus-tratos a prisioneiros iraquianos eram o resultado de um programa aprovado por ele em 2003.
A situação do número um do Pentágono parece ficar cada vez mais complicada, enquanto o Congresso permanece decidido a continuar sua investigação sobre as torturas cometidas na prisão de Abu Ghraib, perto de Bagdá.
O secretário de Estado Colin Powell insistiu na importância de que este caso seja totalmente esclarecido. ''Não precisamos de ações dramáticas ou teatrais'', frisou Powell ao chegar nos Estados Unidos depois de sua visita à Jordânia, respondendo a jornalistas que lhe perguntaram se Rumsfeld devia renunciar.
Na edição da New Yorker que será publicada hoje, o jornalista Seymour Hersch afirmou que as torturas infligidas por soldados americanos a detentos iraquianos na prisão de Abu Ghraib eram o resultado de uma decisão aprovada secretamente em 2003 por Rumsfeld, por seu adjunto Paul Wolfowitz, e pelo chefe do Estado-Maior conjunto Richard Myers.
O porta-voz do Pentágono, Larry DiRita, denunciou que a reportagem de Hersch era ''conspirativa e repleta de informações errôneas e anônimas''.
No entanto, Hersch, questionado neste domingo pela rede de televisão CBS, manteve sua versão. Segundo o jornalista, a recorrência a métodos particularmente duros de interrogatório foi decidida pelo Pentágono, em função da dificuldade de obter dos presos iraquianos informações sólidas sobre a insurreição no Iraque.
Na sua matéria, cujos trechos foram publicados no sábado, Hersch especificou que estes agentes integravam uma unidade de elite ''muito secreta'' de inteligência do exército, encarregada de perseguir a rede terrorista Al-Qaeda em todo o mundo.
Estes homens, segundo o jornalista, foram incluídos no sistema de prisões de Bagdá para supervisionar os interrogatórios de presos com o objetivo de acelerar a coleta de informações.
O objetivo era recorrer a ''alguns métodos de interrogatório muito duros, como humilhações sexuais e torturas psicológicas'', assim como as práticas que foram mostradas nas fotos dos detentos iraquianos.
Na rede CBS, Hersch deu a entender que o Congresso poderia convocar em breve outros membros da administração Bush, principalmente a conselheira para a Segurança Nacional, Condoleezza Rice.


