Abidjan - Os militares franceses enfrentaram de novo ontem, em Abidjan, na Costa do Marfim, milhares de manifestantes que os acusam de tentar derrubar o presidente marfinense Laurent Gbagbo.
Milhares de pessoas, entre elas ''jovens patriotas'' uma verdadeira milícia do poder tentou furar o cordão de segurança em torno do Hotel Ivoire, isolado por cerca de 50 veículos blindados franceses destinados a proteger seus compatriotas.
Os soldados franceses dispararam para o alto para tentar dispersar os manifestantes, que, convocados pela rádio oficial marfinense, protestavam contra a presença francesa no setor, situado a 1 km da residência presidencial.
O chefe do Estado-Maior do Exército marfinense, o general Mathias Dué, seguido por grande número de autoridades locais, participou ontem de uma reunião de crise, assim como o presidente do parlamento 2 Mamadou Koulibaly. ''Nós decidimos caminhar para a calma para que as atividades econômicas sejam retomadas'', declarou o presidente da Assembléia Nacional, Mamadou Koulibaly.
Até o final da manhã, a situação continuava tensa entre os militares franceses e manifestantes. Em função das ''informações'' da rádio oficial, estes últimos disseram que estavam convencidos de que os militares franceses preparavam-se para um golpe de Estado contra Gbagbo. O presidente francês Jacques Chirac reiterou ontem que o único objetivo da ação francesa na Costa do Marfim é garantir a segurança dos cidadãos franceses.
Os confrontos entre manifestantes favoráveis ao presidente marfinense Laurent Gbagbo e as forças francesas em Abidjan deixaram mais de 410 feridos neste domingo, anunciou ontem o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) em um comunicado.

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