Rumores cercam a eleição na Iugoslávia
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sexta-feira, 22 de setembro de 2000
Associated Press De Belgrado 
Num clima tenso causado por uma enxurrada de rumores que vão desde preparativos de golpe militar, prorrogação do atual mandato presidencial até o cancelamento das eleições, 7,8 milhões de iugoslavos da Sérvia e Montenegro foram convocados para escolher amanhã seu novo presidente praticamente entre dois candidatos: Slobodan Milosevic (atual presidente) e o desafiante Vojislav Kostunica. Concorrem outros três candidatos, porém sem chance de êxito.
Tanto Milosevic, candidato do Partido Socialista Sérvio (SPS), quanto Kostunica, da frente partidária Oposição Democrática da Sérvia (DOS), proclamam antecipadamente vitória. Kostunica fundamenta sua convicção nas pesquisas de opinião que lhe dão 18 pontos percentuais de vantagem sobre o adversário. Milosevic contesta, os resultados. As sondagens são fabricadas pelo inimigo externo (OTAN, EUA, UE e OSCE).
No encerramento da campanha eleitoral, na quarta-feira, era visível o prestígio popular de Kostunica. Ele conseguiu reunir quase 200 mil sérvios no centro de Belgrado, enquanto Milosevic discursava em Montenegro para uma platéia de menos de 15 mil pessoas. Kostunica advertiu os sérvios sobre uma grande fraude eleitoral em andamento. Foram encontradas cédulas oficiais com um x no nome de Milosevic. As autoridades insistem, no entanto, na lisura do processo eleitoral, mas recusaram a inspeção de orgãos internacionais, como a OSCE. E vetaram a entrada no país a uma delegação de 20 deputados do Parlamento Europeu.
O presidente iugoslavo, por sua vez, acusou Kostunica de servir aos interesses dos inimigos da Iugoslávia, referindo-se ao aberto apoio do Ocidente à oposição sérvia. Os EUA e a UE prometeram suspender as sanções se Kostunica vencer.
Diante de um quadro claramente desfavorável para o presidente, o primeiro-ministro iugoslavo, Monir Bulatovic, surpreendeu o país ao afirmar que, mesmo derrotado, Milosevic permanecerá no poder até junho de 2001. O presidente cumprirá integralmente seu mandato como estabelece a Constituição, disse. Seria bom que a oposição desse mais atenção ao texto constitucional.
O desafiante Kostunica protestou, acusando Milosevic de manipular a lei para reter o poder. Para agravar a situação, o general Neboja Pavkovic, chefe do Estado-Maior iugoslavo, denúnciou o que classificou de clamorosa interferência dos aliados ocidentais no processo eleitoral iugoslavo. Mas, embora tenha ressalvado que os militares acatarão o resultado da eleição, surgiram fortes rumores de insatisfação no 7º Batalhão do Exército (que atua em Montenegro), que estaria envolvido na preparação de um golpe de Estado. Um oficial dessa unidade assassinou ontem um policial montenegrino, aumentando o clima de apreensão na pequena república iugoslava, cujo governo regional opõe-se a Milosevic e convocou o eleitorado local a boicotar as eleições.
Todos esses fatos levaram o secretário-geral da OTAN, George Robertson, a manifestar seu ceticismo. Essa não será uma eleição livre e justa, disse ao pôr as forças internacionais em Kosovo (Kfor) em estado de alerta vermelho.


