Rublo vai perder 3 zeros dia 1º
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de dezembro de 1997
Marina Lapenkova 
France Presse
Moscou
Desconfiados de reformas monetárias que sempre devoraram suas economias, os russos esperam com temor o primeiro de janeiro, dia da introdução do novo rublo, equivalente a mil dos atuais, embora o Governo tenha tentado prepará-los com uma campanha informativa sem precedentes.
Em agosto passado, o Presidente Boris Yeltsin anunciou a reforma monetária destinada a fortalecer o rublo para que no futuro seja uma moeda convertível. Reforma mais humana do que as anteriores e que expoliaram milhares de russos, pois as atuais moedas continuarão em circulação junto com as novas em 1998 e serão trocadas sem comissão até 2002.
As etiquetas dos produtos terão seus preços marcados em velhos e em novos rublos. Segundo uma pesquisa publicada esta semana pela revista Itogui, 60% dos russos admitem o desaparecimento dos três zeros e a volta aos kopecks (moeda fracionária do rublo), desaparecidos com a hiperinflação do início dos anos 90. Mas os partidários da reforma, como seus oponentes, estão convencidos de que sairão perdendo.
Os preços vão subir e as pessoas comuns vão continuar sofrendo, declarou Natacha Goriacheva, funcionária do Ministério de Ferrovias. A população russa já tem experiência de anteriores desvalorizações, que arruinaram muitos. Com Stalin em 1947 e Kruschev em 1961, as reformas pilharam os soviéticos de surpresa e o rublo perdeu um zero de cada vez. Em janeiro de 1991, um decreto do Presidente Mikhail Gorbachov deu um prazo de três dias aos soviéticos para trocar suas cédulas de 50 e 100 rublos (30 e 60 dólares na época), com a proibição de trocar mais de 1.000 rublos.


