KIGALI - O governo de Ruanda afirmou ontem que não vai permitir que a força de paz internacional que cumprirá uma missão humanitária no leste do Zaire fique baseada em seu território. Qualificando de ‘‘irrelevante’’ a missão que deve levar a alimentos a centenas de milhares de refugiados hutus que estão abandonados na região, Ruanda afirma que a maior parte dos refugiados já voltou para o país.
O governo de Kigali quer que a comunidade internacional apenas envie ajuda humanitária - não tropas - para reassentar em Ruanda as famílias que abandonaram suas casas em meados de 1994, durante a guerra civil e étnica entre hutus e tutsis.
Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) os hutus continuam a marcha de volta a Ruanda, passando pela cidade zairense de Goma. O porta-voz da Acnur Ray Wilkinson afirmou que cerca de 600 refugiados já chegaram a Sake, cidade 20 km a oeste de Goma, vindos dos campos em torno de Bukavu, no istmo sul do Lago Kivu.
Mais ‘‘milhares’’ de refugiados estão no mesmo caminho, segundo a fonte. ‘‘Os refugiados contaram à nossa equipe local que milhares, possivelmente dezenas de milhares de outros refugiados estão vindo a풒, afirmou Wilkinson.
Com a volta dos refugiados hutus para seus países de origem - cerca de 600 mil já voltaram segundo as agências humanitárias que atual na região - o apoio à missão internacional liderada pelo Canadá foi sendo minado. Embora os países ocidentais tenham concordado durante uma reunião na semana passada em Stuttgart que há necessidade de ajudar os refugiados, aparentemente os representantes decidiram que não há urgência em enviar a missão.
O primeiro-ministro canadense, Jean Chretien, afirmou ontem que a intervenção militar ainda é necessária, mas que uma força de cerca de 1 mil soldados poderá ser suficiente, em vez dos 10 a 15 mil previstos inicialmente. ‘‘Minha avaliação é de que não precisamos de 10 mil pessoas, pode ser algo mais em torno de 1 mil a 1,5 mil’’, declarou.
Segundo Wilkinson, os refugiados que estão cruzando a fronteira estão relatando que há fortes combates entre rebeldes tutsis e o exército zairense ao sul de Sake e no caminho para Masisi. Vários refugiados que vinham de campos em volta de Mugunga tinham ferimentos sofridos na região de Masisi, por causa dos combates. ‘‘Muitos dos ferimentos são de machetes, balas, pauladas e pedradas’’, afirmou um funcionário da Cruz Vermelha.
Os refugiados ruandeses e burundineses que estavam no Zaire desde 1994 começaram a voltar a seus países de origem há cerca de uma semana, depois que rebeldes banymulenge (tutsis) começaram a atacar os campos de refugiados na região e a combater os soldados do Zaire.

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