Sven Nackstrand/France PresseEm Ramallah, palestinos queimam pneus nas ruas e atiram pedras contra os soldados israelenses em prontidãoJERUSALÉM - O enviado especial norte-americano Dennis Ross deixou ontem o Oriente Médio, depois de dois dias de tentativas de negociações com a liderança palestina e a israelense, que aparentemente não trouxeram resultados. O processo de paz na região está em colapso desde que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, decidiu prosseguir com os planos de construção de mais de 6.500 casas para judeus na parte árabe de Jeruslém. Além de entravar os esforços de paz, a obra causou protestos violentos dos palestinos, que se repetiram ontem pelo nono dia consecutivo.
Ontem cedo, Ross reuniu-se com negociadores palestinos por duas horas antes de encontrar-se com Netanyahu. O premier israelense afirmou que só a promessa palestina de lutar contra o ‘‘terrorismo’’ é insuficiente para retomar o processo de paz, e só enérgicas medidas contra os extremistas poderão ser eficientes.
‘‘Se o lado palestino cumpre suas promessas, reitero que não só por um dia ou dois, mas se virmos uma mudança fundamental em breve, poderemos voltar às negociações’’, declarou Netanyahu. ‘‘Quero assinalar que na totalidade falamos unicamente do tema terrorismo - não falamos em absoluto da continuidade dos detalhes do processo diplomático’’, disse.
O presidente palestino, Yasser Arafat, que viajou ontem à Túnisia depois de encontrar-se com Ross no dia anterior, pediu a países árabes e muçulmanos que tomem medidas para forçar Israel a suspender a construção do assentamento judeu em Jerusalém Oriental. ‘‘Peço uma rápida reação palestina, árabe e muçulmana para fazer frente aos perigosos acontecimentos não apenas em relação a Jerusalém, mas também em relação ao povo palestino’’, declarou Arafat depois de encontrar-se com o presidente tunisiano Zine Al-Abidine Ben Ali. Arafat viveu 10 anos exilado na Tunísia, antes de voltar a Gaza, depois do histórico acordo de paz e entre palestinos e israelenses, em 1993.
Mais casasEm Hebron, na Cisjordânia, soldados israelenses voltaram a reprimir com balas de borracha e gás lacrimogêneo as manifestações palestinas. Jovens atiravam pedras e bombas de petróleo nos soldados e perto da linha que divide os 80% da cidade administrados pela AP dos 20% administrados por Israel. Vinte e cinco pessoas ficaram feridas.
Em Jerusalém, perto do Templo Monte, jovens palestinos também apedrejaram soldados depois das orações de sexta-feira na Mesquita al-Aqsa, no dia sagrado do Islã. Os soldados evitaram reagir e foram auxiliados por guardas da Fé Islâmica, que conseguiram dispersar os manifestantes. A polícia israelense retirou os judeus que rezavam perto do Muro das Lamentações.
Para esquentar mais o clima, o jornal israelense Haaretz anunciou ontem que o ministro da Defesa Yitzhak Mordejai autorizou um novo projeto de construção de casas na colônia ocupada na Cisjordânia de Givat Zeev, com mais 1.550 moradias.

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