Um monge brâmane coroado, vestido como o assassinado rei nepalês Birendra, desfilou ontem montado em um elefante acompanhado de uma multidão, seguindo um ritual centenário destinado a expulsar os fantasmas do massacre real.
No 11º dia após boa parte da família real submergir num banho de sangue no palácio, o primeiro-ministro Girija Prasad Koirala, os membros de seu gabinete e altos oficiais militares assistiram à rara cerimônia de purificação da alma do rei hindu do Nepal – um rito celebrado apenas três vezes no século passado.
O novo rei Gyanendra, irmão do falecido monarca, não assistiu à cerimônia, na qual os pertences do rei Birendra foram entregues ao monge bramanista que passou a simbolizar os espíritos maus e então foi expulso para o Vale de Katmandu. Um primo do rei encarregado de acender a pira da família real nos funerais da semana passada também estava presente.
Entre os convidados estava o chefe da Suprema Corte de Justiça, Keshav Prasad Upadhyay, também chefe da comissão de duas pessoas encarregada de esclarecer o massacre. Frustrados e impacientes, os nepaleses esperam por respostas sobre o crime que matou dez pessoas.
Em meio às suspeitas da população, o governo chefiado pelo primeiro-ministro Koirala mandou prender na semana passada o diretor e dois editores do mais vendido jornal nepalês, o Kantipur, que deverão comparecer amanhã perante o tribunal para serem interrogados, depois de terem publicado um artigo assinado por um líder rebelde maoísta nepalês.

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