O exercício da profissão de jornalista oferece atualmente mais riscos nos países democráticos do que nos regimes autoritários. Essa é a conclusão de pesquisas feitas por organizações não-governamentais dedicadas à defesa da liberdade de expressão. Elas indicam que ocorrem poucos assassinatos de profissionais de imprensa em países submetidos a ditaduras, enquanto que nas democracias formais a violência é surpreendente. O Comitê para Proteção de Jornalistas, entidade que tem sede em Nova York, afirma que em dez anos 500 jornalistas foram mortos ao redor do mundo durante o exercício da profissão.
O resultado das pesquisas, apresentadas durante a conferência hemisférica sobre Crimes sem Punição Contra Jornalistas, encerrada ontem na Guatemala, não deve ser entendido como um elogio ao autoritarismo. Pelo contrário. Se há menos assassinatos de profissionais de imprensa nas ditaduras é porque tornaram-se desnecessários diante da censura, da autocensura e do terrorismo de Estado. ‘‘A imprensa livre não sobrevive nesses lugares’’, disse Johann Fritz, do Instituto Internacional de Imprensa, baseado em Viena, Áustria.
Para Fritz e outros estudiosos que participaram da conferência, o fato mais preocupante é que as pesquisas sinalizam a fragilidade das democracias. Quando se trata de defender o direito à informação, todo o aparato do Estado - incluindo-se aí polícia, juízes, legisladores, governantes - parece emperrar. De acordo com William Orme, do Comitê para Proteção de Jornalistas, quase 90% dos casos de assassinatos de profissionais em todo o mundo continuam impunes.
Orme, que já foi correspondente de jornais americanos na América Latina e hoje dedica-se a investigar a violência contra jornalistas, tem procurado definir quais são os fatores comuns à maioria dos casos. Já encontrou alguns. Em primeiro lugar, quase 80% dos profissionais assassinados são da própria região onde trabalham e exercem um tipo de jornalismo convencional. Não são correspondentes estrangeiros, nem se dedicam a trabalhos especiais.

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