São Paulo - Alertas sobre risco de tsunami foram emitidos ontem para toda a região do Pacífico, incluindo o Canadá e a parte continental dos Estados Unidos. Enviados para mais de 20 nações, esses alertas incluíram países sul-americanos banhados pelo oceano, como Chile, Peru e Equador. Mais tarde, Austrália e Nova Zelândia foram retiradas da lista de risco; China, Indonésia e as Filipinas suspenderam os seus alertas. Até ontem à noite, não havia notícia de danos semelhantes aos ocorridos no Japão.
No Chile, traumatizado pelo terremoto do início de 2010, com cerca de 700 mortos, o presidente Sebastián PiÀera emitiu um alerta preventivo, mas aconselhou à população que mantenha suas atividades normais.
No Estado americano do Havaí - na região central do Pacífico, a cerca de 6,2 mil quilômetros do Japão -, a Defesa Civil chegou a ordenar que a região costeira fosse evacuada.
Ondas de cerca de dois metros de altura inundaram estradas e o lobby de alguns hotéis na principal ilha havaiana e na ilha de Maui. Não houve, porém, registro de mortes ou grandes danos, e o alerta foi reduzido a uma advertência para que as pessoas fiquem longe das praias.
Em áreas do Norte da Califórnia, milhares de pessoas deixaram suas casas na beira do mar. Um homem que tirava fotos do tsunami foi tragado pelas ondas e estava desaparecido até ontem à noite.
Vulnerabilidade
A vulnerabilidade do Japão é conhecida, mas prever um terremoto ainda é uma tarefa muito difícil. ''A previsão de terremotos é muito limitada. Não conhecemos o suficiente as placas tectônicas'', afirma o geofísico Afonso Lopes, do Instituto de Geofísica, Astronomia e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP).
Mas levantamentos estatísticos, com dados históricos de terremotos, podem indicar a chance de haver um sismo em certa região. Além disso, ''é possível analisar alguns sinais momentos antes dos grandes terremotos'', explicou a sismóloga Tereza Higashi Yamabe, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Por exemplo: tremores localizados, liberação de gases, animais saindo do chão (como cobras) e elevação do solo (como um bolo no forno).
O Japão, que possui tecnologia para detectar esses sinais, aciona rapidamente um alerta à população na suspeita de terremoto. No caso de tsunamis, causados por um terremoto cujo epicentro fica no mar, o alerta pode ser dado pouco antes da chegada da onda. Mas o deslocamento das placas tectônicas é mais complicado de prever.
''É difícil monitorar o que ocorre a uma profundidade tão grande'', disse o geólogo Ticiano José dos Santos, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Há quem diga um futuro tremor irá ''dividir o país ao meio''. Mas, novamente, isso é difícil prever.

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