Cidade do Vaticano - A hierarquia da Igreja Católica, reunida por quatro dias no Vaticano, fez um balanço dos 25 anos de pontificado de João Paulo II, de quem reconheceu a importante contribuição na construção da paz no mundo.
''O Papa nestes 25 anos de pontificado sempre proclamou o Evangelho da paz e trabalhou concretamente para praticá-lo'', assegurou o cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado, ao concluir as quatro jornadas organizadas para celebrar um quarto de século de Karol Wojtyla no trono de São Pedro.
O número dois da Santa Sé falou do ''pontificado a serviço da paz'', ao analisar os ''ultimos anos agitados do século XX e o nascimento do terceiro milênio cristão''.
''A obra de João Paulo II em favor da Europa Central e do Leste é
reconhecida por muitos historiadores e é um dos grandes méritos do atual pontificado'', disse o cardeal, ao falar da contribuição do Papa na queda dos regimes comunistas e do muro de Berlim, ''um muro sobretudo espiritual, maior que o material''.
Em seu informe, Sodano se referiu também à intercessão do Papa em conflitos como os da ''Terra Santa, Bálcãs, África Central e Iraque''.
''As repetidas, mediáticas e apaixonadas intervenções do Santo Padre contra a guerra no Iraque conseguiram que dentro dos países árabes, não fosse percebida como uma guerra de cristãos contra muçulmanos, que não se tratava de uma guerra de religião do Ocidente contra o mundo muçulmano'', disse.
O secretário de Estado lembrou também a mediação do Papa entre Argentina e Chile pelo canal de Beagle, países que quase chegam à guerra no final de 1979 e que graças à intervenção papel, o assunto foi superado com um tratado de paz firmado pelos dois países em Roma em 1984.
Por sua parte, João Paulo II solicitou à hierarquia da Igreja Católica em todo o mundo que reze por ele para que possa fazer seu trabalho ''até que o Senhor queira''.
O chefe da Igreja Católica confirmou explicitamente sua vontade de permanecer em seu cargo, apesar de suas dificuldades físicas e do mal de Parkinson, que o impede gradualmente de falar.
''A coragem para proclamar o Evangelho não deve nos faltar nunca, deve ser nosso compromisso até o último suspiro, com dedicação sempre renovada'', clamou o Papa.
João Paulo II escutou com atenção o discurso do cardeal alemão Joseph Ratzinger, que falou com tom poético sobre os momentos mais emotivos do pontificado: a luta contra o ateísmo, contra a pobreza, pela paz, o ecumenismo e a tenacidade para lembrar aos ''poderosos'' os direitos dos mais fracos.
Depois de apertar calorosamente a mão de Ratzinger, o Papa retomou a palavra para ''agradecer sinceramente'' aos príncipes da Igreja sua ''aproximação espiritual''.
Seis informes foram apresentados para analisar os vários aspectos do pontificado, desde o reforço dos valores morais da Igreja, apresentado pelo colombiano Alfonso López Trujillo, até o mais histórico, apresentado por Sodano.

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