Estocolmo, Suécia - A onda de violência que atinge a periferia de Estocolmo há uma semana se espalhou na madrugada de ontem para outras cidades suecas. Veículos e edifícios foram incendiados nas cidades de Uppsala, Oerebro e Linkoeping.
Em Oerebro, 160 km ao norte de Estocolmo, uma escola foi incendiada, assim como vários veículos. Um policial ficou ferido após ser atingido por pedras e uma delegacia foi invadida, segundo a polícia.
Em Linkoeping, a 235 km da capital, carros foram queimados, assim como uma creche e uma escola, enquanto em Uppsala, a 70 km de Estocolmo, uma escola e um carro foram incendiados.
Para o porta-voz da polícia de Oerebro, Kjell Lindgren, trata-se "de pessoas que aproveitam da situação em Estocolmo para cometer crimes e receber pouca atenção".
Os bombeiros registraram 40 incêndios na periferia da capital durante a noite de anteontem, um número menor do que os 70 focos apagados na madrugada de quinta para sexta-feira.
Os reforços das cidades de Gotemburgo e Malmö, segunda e terceira maiores cidades da Suécia, ajudaram a diminuir a tensão.
A polícia prendeu uma pessoa por tentativa de agressão e 20 outras foram detidas por um curto período por perturbação da ordem pública, segundo o porta-voz.
Um jovem que disse ter participado dos incidentes, e identificado pela rádio pública SR com o pseudônimo de Kim, disse ter agido por revolta contra o desemprego e o racismo que assolam esses bairros.
"Nós queimamos carros, atiramos pedras na polícia, nas viaturas. Mas é uma coisa boa, porque agora as pessoas sabem onde é Husby (...) É a única maneira de se fazer entender", declarou.
A onda de violência provocou um debate na Suécia sobre a integração dos imigrantes, que representam cerca de 15% da população, se concentram nos bairros pobres das grandes cidades do país e sofrem com uma taxa de desemprego mais elevada do que a do restante da população. Em Husby, a taxa de desemprego atingiu 8,8% em 2012, contra 3,6% em Estocolmo.
O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido e a Embaixada dos Estados Unidos em Estocolmo colocaram em estado de alerta seus expatriados e recomendaram evitar os bairros afetados pelas perturbações.
A onda de violência teria como estopim a morte de um morador de 69 anos de Husby, assassinado pela polícia dentro de casa. As forças de segurança alegaram que tinham agido em legítima defesa, já que o homem -- que estaria armado -- estava fora de si.
Em razão de uma política de imigração liberal, a Suécia tornou-se nas últimas décadas um dos primeiros destinos dos imigrantes na Europa.

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