Revolta se espalha no Sul da Albânia
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segunda-feira, 10 de março de 1997
Agência Estado, de Tirana 
A rebelião na Albânia espalhou-se ontem para quase todo o Sul do País enquanto soldados do Exército recuavam desordenadamente e os rebeldes ignoravam um acordo que o presidente Sali Berisha fez com os partidos de oposição, no fim de semana, para formação de um governo de reconciliação e a realização de novas eleições em junho. Apenas na cidade portuária de Vlore os rebeldes teriam fechado um acordo com o embaixador italiano em Tirana, Paolo Foresti, comprometendo-se a entregar as armas.
Os rebeldes continuam exigindo a renúncia do presidente, que consideram o principal responsável pela ruína em que foram atirados centenas de milhares de albaneses, enganados por empresas financeiras que prometiam ganhos mirabolantes - e que quebraram.
As últimas áreas a cair em poder dos rebeldes foram a antiga cidade de Berat, abandonada sem luta pelo Exército, e a cidade vizinha de Kucove, onde os moradores pilharam uma base da Força Aérea, uma das duas importantes pistas de pouso militares da Albânia. Uma pessoa morreu depois de ser atingida por um tiro disparado nas comemorações. As cidades de Polican e Corovode também estariam em mãos dos rebeldes. Uma série de explosões sacudiu um depósito de munição controlado pelos rebeldes na vila de Lazarat.
Um jornalista da Radio France Internationale teve seu carro atingido por disparos nas proximidades da cidade de Fier.
Os rebeldes consquistaram Permet, um remota localidade montanhosa onde cinco pessoas foram mortas e seis ficaram feridas. Os residentes começaram a enterrar seus mortos ontem, num funeral que se transformou em manifestação de protesto com cerca de 3 mil pessoas gritando Abaixo Berisha, abaixo os assassinos, enquanto jovens disparavam fuzis Kalashnikov para o ar.
Sem desarmamentoRebeldes nas ruas disseram apoiar a idéia de um governo de todos os partidos conforme previsto no acordo de Berisha, mas recusavam-se a entregar as armas até que o presidente renuncie. Eles o acusam de ter deixado os esquemas de pirâmide florescerem antes de entrarem em colapso, levando as economias de centenas de milhares. Não confiamos mais nele, afirmou Sokol, um dos rebeldes de Beret. Ele merece ser enforcado em sua língua.
Berisha reuniu-se ontem com líderes de seu Partido Democrático e da oposição em Tirana a fim de formar um governo interino que deverá supervisionar as eleições gerais antecipadas de junho previstas no acordo.
Mas Berisha não quer deixar o poder, como exigem os rebeldes, e tenta se manter à tona fazendo substanciais concessões. Uma delas é uma anistia para os rebeldes, em troca de seu compromisso de depor as armas no prazo de uma semana. Outra concessão é a formação do governo de união nacional, que tira a hegemonia do Partido Democrático, algo que o presidente se negava sistematicamente a fazer.
Berisha chegou até a acenar com a possível volta da monarquia, o que permitiria o retorno do rei Leka I, de 57 anos, exilado na África do Sul. O rei disse que está disposto a voltar, mas não aprova a rebelião armada. De qualquer forma, a maior parte da população acredita que o retorno à monarquia não seria a solução para a grave crise.
A Itália organizou ontem um encontro entre seu embaixador e representantes dos revoltosos de Valona a pedido das autoridades de Tirana para iniciar o diálogo com os representantes da oposição no Sul do País. Por suas relações tradicionais com a Albânia e a proximidade com esse país, a Itália desempenha um papel importante na busca de uma solução para a crise albanesa.


