'Revolta é caminho para a democracia', diz xeique
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terça-feira, 08 de março de 2011
Eli Araujo <br> Reportagem Local 
Londrina - A revolta que vem acontecendo nos países árabes contra governos ditatoriais é um caminho natural para a democracia, assim como aconteceu em outros países. A opinião é do xeique Yamani Nour Mohammad, da Mesquita Rei Faiçal em Londrina. ''Chega uma hora que é preciso mudar da ditadura para a democracia porque todo mundo quer qualidade de vida'', afirma.
O xeique acredita que a adoação de um regime democrático dará mais abertura para o povo árabe lutar por seus direitos, ter maior liberdade de expressão e maiores oportunidades.
Mohammad diz que os povos de países árabes não se manifestavam contra os regimes ditatoriais porque havia falta de informação do que acontece no mundo, o que hoje está mudando em função da internet, mesmo com as tentativas de alguns governos de impedir o acesso à rede mundial de computadores. ''Há uma pressão maior em cima dos governos e, por mais que eles tentem impedir, a informação sempre chega até nós'', justifica.
Para o líder religioso, a tendência é haver uma redução da ''distância'' cultural entre o Ocidente e o Oriente. A maior aproximação, segundo ele, já pode ser observada no turismo, com alguns destinos do Oriente Médio figurando entre os mais procurados do mundo.
A empresária e vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Najila Nabhan, de família libanesa, acredita que o mundo árabe jamais será o mesmo com a expansão da internet. ''Antes, a população não tinha acesso à mídia, mas com a globalização o mundo vai se tornar um só, sem divisão; a pessoa tem acesso a tudo com a internet'', opina.
Para o professor Ayoub Hanna Ayoub, do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a revolta nos países árabes não pode ser atribuída exclusivamente à internet, em especial ao Facebook e Twitter, e sim ao alto nível de politização do povo árabe. Segundo ele, a imprensa ocidental nem sempre mostra a verdadeira realidade da situação, passando a imagem que os árabes são pobres ou nômades.
Ayoub lembra que 85% da população da Líbia é alfabetizada, que o país tem 300 mil universitários e também que a maior parte da população do Líbano tem vida política ativa, inclusive em termos partidários. ''Os árabes, de um modo geral, são bem informados; e no Egito, foi a elite intelectual, com a classe média, que começou a fazer as reivindicações'', explica.
O professor vê a revolta nos países árabes como algo positivo, mas com desfecho imprevisível. ''Isso virou uma bola de neve, maior do que qualquer um possa imaginar e que vai atingir todos os países árabes'', analisa.
Ele faz questão de destacar que o ''arabismo'' é algo dominante no mundo árabe e que, apesar da existência de vários países, por força de domínio colonialista no passado, há um sentimento ''nacionalista'' único.


