Revolta dos policiais aumentou insegurança
A segurança pública perturbou o sono de pelo menos 11 governadores em julho. Num efeito-dominó, rebeliões policiais estouraram em vários pontos do País, no rastro da vitoriosa campanha salarial mineira. O estopim foi uma trapalhada do governador Eduardo Azeredo (PSDB), que concedeu aumento aos oficiais mas não aos praças. A resposta veio em 24 de junho, quando quatro mil saíram às ruas de Belo Horizonte. No confronto com PMs leais ao governador, um soldado morreu, atingido por um tiro. Acuado, Azeredo concedeu 48% de reajuste a todos. Foi a chave para que policiais civis e militares do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Pará, Piauí e Ceará reivindicassem o mesmo.
Na segunda quinzena de julho, o Exército estava de prontidão para intervir nos 11 Estados. Em algumas capitais, como Maceió, Recife, João Pessoa e Campo Grande, soldados armados protegiam os prédios públicos.
Em Alagoas, servidores públicos com salários atrasados até oito meses uniram-se aos policiais no protesto. A greve foi interrompida após manifestação com troca de tiros (três pessoas foram feridas) em frente à Assembléia Legislativa. O governo federal interveio na polícia estadual e o governador Divaldo Suruagy (PMDB) afastou-se do cargo. Em Pernambuco e Ceará, os governadores Miguel Arraes (PSB) e Tasso Jereissati (PSDB) recusaram-se a negociar e prenderam lideranças do movimento. No Rio Grande do Sul, a Brigada Militar levou seis mil policiais às ruas na primeira passeata em 160 anos da instituição.
A resistência do governo federal em liberar recursos para os Estados enfraqueceu os protestos. Os policiais voltaram ao trabalho com a promessa de abono salarial, implantação de plano de cargos e salários e a construção de moradia pela Caixa Econômica Federal. Durante a greve, todos os Estados atingidos registraram aumento da criminalidade.





