Após nove anos no comando da maior potência petroleira da América Latina, o primeiro revés eleitoral perturbou seriamente os planos deste ex-oficial golpista de 53 anos que sonhava em ser o substituto de seu velho mentor cubano Fidel Castro contra ''o império americano''.
''Seu projeto de se tornar o herdeiro da esquerda radical no cenário mundial foi prejudicado'' pela derrota, afirmou Edmondo González Urrutia, diretor do Centro de análise diplomática e estratégia em Caracas.
A Venezuela está atualmente num ''processo de isolamento internacional'', agravado por sua aliança com o Irã, cujo programa nuclear é apoiado incondicionalmente pelo governo de Caracas. ''A menos que o rei da tática (Chávez) retire um coelho de sua cartola, como por exemplo (a refém franco-colombiana) Ingrid Betancourt, ele deve perder muito do crédito que tinha'', afirmou o especialista em política Tulio Hernandez.
A rejeição de sua reforma também significa a quebra do motor principal de sua ação, seu carisma de líder. Em sua edição desta segunda-feira, El Nacional, um dos principais jornais venezuelanos, insistiu no revés pessoal sofrido pelo ''Comandante''. ''Ele colocou seu peso na balança e perdeu. Seu carisma ficou abalado'', destacou o editorialista do jornal de oposição Fausto Maso.
''O mito Chávez foi abalado, porque os pobres ficaram com medo dos excessos de sua reforma e do risco de concentração dos poderes'', explicou este professor da Universidade Central da Venezuela (UCV).

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