As dúvidas sobre a próxima realização de negociações entre Israel e palestinos para conseguir uma trégua aumentaram ontem, devido a um desacordo sobre o local da reunião, enquanto o exército israelense sitiava a cidade de Jenin, na Cisjordânia.

O encontro tão esperado entre o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, e o ministro das Relações Exteriores de Israel, Shimon Peres, ''sem dúvida só acontecerá dentro de vários dias'', informou um assessor de Arafat, Nabil Abu Rudeina. A mesma fonte acrescentou que os palestinos querem que a reunião se realize no Egito, com o que Israel não concorda.

O presidente palestino Yasser Arafat afirmou ontem que há três encontros previstos entre ele e o ministro israelense de Relações Exteriores, Shimon Peres. ''Acertamos um primeiro encontro no Egito, um segundo na Europa e um terceiro na ONU'', declarou Arafat aos jornalistas durante a inauguração de um hospital em Gaza.

O grupo palestino armado Frente do Exército Popular-Batalhões do Retorno, considerado como muito ligado ao Fatah, de Yasser Arafat, assumiu a responsabilidade pela morte de dois guardas fronteiriços israelenses ao amanhecer de ontem ao Norte de Israel, nos limites com a Cisjordânia. Com este caso, eleva-se a 782 o número de pessoas mortas desde o início da Intifada (levante palestino) 595 palestinos, 164 israelenses e 14 árabes israelenses.

Em Jenin (Norte da Cisjordânia), 12 palestinos foram feridos por obuses disparados por tanques israelenses, que penetraram uns 100 metros nesta cidade autônoma palestina.

Doze tanques participaram da operação, iniciada na noite de segunda-feira e que prosseguiu ontem. Segundo ''A Voz da Palestina'', a rádio oficial palestina, dois postos dos serviços de segurança da Autoridade Palestina foram destruídos.

Um porta-voz do exército israelense anunciou que unidades de infantaria, apoiadas por blindados, tinham cercado Jenin e que a operação ''continuará até nova ordem''.

O governo israelense justificou esta operação em um comunicado no qual descreve Jenin como ''o centro da atividade terrorista, de onde provém a maioria dos autores de atentados suicidas contra Israel'', incluindo o que matou três pessoas, além de seu autor, um árabe israelense, no último domingo em Nahariya (Norte).

Quatro tanques e uma escavadora israelense entraram ontem de manhã na zona sob controle palestino no sul da cidade de Gaza, terminando de destruir uma posição da segurança pública palestina, que sofreu grandes danos durante uma anterior incursão noturna.

Em Rafah (sul da Faixa de Gaza), quatro palestinos foram feridos quando tanques israelenses bombardearam o acampamento de refugiados.

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