Uma de cada cinco crianças da área ibero-americana vive apenas com a mãe, uma de cada quatro mora em lugares violentos, a metade se sente pouco ouvida pelos maiores e 67% vê o futuro com pessimismo, segundo uma pesquisa encomendada pela Unicef e divulgada por ocasião da 10ª Cúpula Ibero-americana do Panamá, que começa hoje.
A pesquisa revela situações e percepções ‘‘muito similares entre a juventude de países americanos, da Espanha e de Portugal’’, disse Per Engebak, diretor regional do Unicef, que apresentou o trabalho por causa da Cúpula que se reunirá hoje e amanhã para tratar dos problemas da infância e da adolescência.
Um entre cada cinco entrevistados – o que representa cerca de 23 milhões de jovens – vive em lares sem o pai, com uma média maior no Brasil (26%) e no Caribe (24%).
Por outro lado, cerca de 26% dos entrevistados denunciam ‘‘uma alta presença de condutas agressivas no lar’’ e cerca de 16% afirmam ‘‘ser maltratados em seus lares quando fazem algo indevido’’.
Além disso, mais da metade dos entrevistados declarou ‘‘não ser ouvido em casa nem na escola’’.
As crianças não têm muitas ilusões sobre o futuro: cerca de 67% (equivalente a 70 milhões de crianças e adolescentes da região) pensam que seu país vai ser igual (34%) ou pior (33%) no futuro.
As exceções parecem ser os jovens panamenhos, salvadorenhos, haitianos, dominicanos e peruanos. A metade deles acredita que seus respectivos países estão se tornando ‘‘lugares melhores para se viver’’. Entre as razões alegadas, eles declaram a convicção de que suas nações estão se desenvolvendo (os três primeiros) ou que possuem melhores infra-estruturas (os dominicanos e peruanos).
Por outro lado, mais de 70% das crianças e jovens brasileiros, mexicanos, colombianos, equatorianos, uruguaios, argentinos e chilenos acreditam que seus países devem permanecer iguais ou que se tornarão ‘‘lugares piores para se viver’’, principalmente por causa dos altos índices de violência e desemprego.
O estudo foi realizado com uma mostra de quase 12 mil casos, com pessoas com idade entre 9 e 18 anos e residentes em zonas rurais e urbanas de 20 países da América Latina e do Caribe.

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