Representantes do mundo islâmico, a alta hierarquia da Igreja Católica e personalidades ortodoxas se reuniram ontem em Roma para rejeitar a lógica do ódio gerada pelos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos.
O fez muçulmano, o barrete vermelho dos cardeais e as togas negras ortodoxas, se misturavam na sala como imagem eloquente e ecumênica do encontro entre islamitas e cristãos, organizado pela comunidade católica de São Egídio.
A liberdade de palavra dos oradores era surpreendente e pôde ser resumida através da reiterada vontade de diálogo demonstrada pelos participantes, que responderam sem titubear ao convite feito pela organização católica, conhecida por ter servido de mediadora em situações de conflito na África e na América Central.
Os participantes admitiram que não poderiam ''deter os ventos da guerra'', mas quiseram demonstrar ''que o diálogo é possível e necessário'', segundo os representantes de São Egídio, que esperam ''criar uma ponte'' ante o atual risco de confronto entre civilizações.
A comunidade, que trabalha em 60 países, é testemunha da ''desconfiança'' surgida entre os cerca de dois bilhões de cristãos e muçulmanos existentes no planeta, depois dos atentados nos Estados Unidos.
''Corre-se o risco de que o Islã seja visto como inimigo e que, sentindo-se agredido, nos considere inimigos, como queriam os terroristas'', afirmaram representantes da organização católica. A reunião adquiriu um tom particular na Itália, sobretudo depois das declarações, consideradas insultantes pronunciadas pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi há sete dias, a propósito da superioridade da cultura ocidental.

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