Retornam à Terra os cosmonautas da Mir
A nave Soyuz TM-27, com três cosmonautas russos a bordo, aterrissou no Cazaquistão, ontem, bem cedo, segundo a agência ITAR-TASS.
A nave, que se separou sem problemas da estação orbital Mir às 23h05, na véspera, aterrissou como previsto pouco depois das 2 horas da manhã, na região de Arkalyk.
Estavam a bordo Iuri Batourine, um ex-assessor do presidente russo Boris Yeltsin que chegou à Mir no dia 14 de agosto passado, assim como os cosmonautas Talgat Moussaba#ev e Nikola# Boudarine, que passaram na estação orbital mais de 207 dias.
Batourine, o primeiro burocrata a ir ao espaço, vai preparar um relatório sobre o estado exato em que encontrou a estação Mir, que deve ser mantida, em atividades, até junho de 1999.
Lançada em 1986, a Mir deveria ter, teoricamente, vida ativa de cinco anos; 12 anos depois ainda sobrevive, mas com muitos desgastes. Ano passado sofreu múltiplos problemas: escapamentos e despressurização de um módulo, problemas nos computadores, no sistema elétrico... houve até um incêndio a bordo da estação espacial.
Permanecem na Mir, agora, apenas os integrantes da tripulação número 26, a antepenúltima, integrada por Guennadi Padalka e Serguei Avdeiev, que permanecerão no espaço até fevereiro. Os dois terão a tarefa de diminuir um pouco a altura da estação orbital.
A 27ª e última missão da Mir deve acontecer em fevereiro próximo, com o envio de um francês, de um russo e de um eslovaco, encarregados de preparar a estação para sua última viagem.
Em seguida, a estação, ocupada sem interrupção desde 1986, poderá se desintegrar e o que restar dela cair nas profundezas do Oceano Pacífico.
A precária situação da Mir ocorre, segundo os observadores, principalmente devido à debacle da União Soviética. A crise econômica que atingiu a Rússia levou a redimensionar os programas espaciais. Entretanto, o projeto da Mir recebeu uma substancial ajuda norte-americana, servindo como base para importantes estudos destinados a propiciar conhecimentos capazes de orientar na construção de uma estação orbital, até o final do século. A nova estação deverá ser a base para os programas espaciais do século 21, que podem incluir, inclusive, o lançamento de naves tripuladas para outros planetas do sistema solar. O primeiro alvo, naturalmente, deve ser o planeta Marte, vizinho da Terra e que vem sendo exaustivamente estudado pelos especialistas, notadamente nos Estados Unidos.
Uma eventual missão marciana, entretanto, dificilmente será realizada apenas por um país. Terminada a guerra fria, passou a prevalecer a tese de que a conquista do espaço pode ser uma aventura da Humanidade, com a união de esforços de vários países no desenvolvimento do projeto, o que reduziria os custos.France PresseAjudaCosmonautas são ajudados ao desembarcar da nave Soyuz TM-27France Presse





