Retirada une famílias palestinas
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terça-feira, 30 de maio de 2000
Associated Press De Doheira 
Parentes palestinos que nunca haviam se visto antes estendiam suas mãos ontem através de cercas de arame farpado na fronteira israelo-libanesa, se apresentavam e perguntavam o que tinha ocorrido com familiares e com uma terra que muitos nunca viram.
Fico pensando, meu querido, onde está Abu Khaled, perguntou Najah Fahd da cidade árabe-israelense de Tamra, nas proximidades de Acre, a primos no lado libanês, segurando a cerca entre eles e derramando-se em lágrimas. Logo outros se aproximaram e, a pedido de um soldado israelense, a mulher foi levada para longe sem uma resposta.
Com a retirada das tropas de Israel da zona fronteiriça no Sul do Líbano na semana passada, tais reuniões entre parentes dos dois lados da cerca se tornaram possíveis.
Vindos de campos de refugiados e de cidades no Líbano, cerca de 100 palestinos crianças e idosos subiram cerca de 300 metros de uma colina rochosa para chegarem a uma estreita faixa de cascalho ao longo da cerca de arame farpado que divide o Líbano e Israel.
Num certo momento, um caminhão do exército israelense passou lentamente encostado à cerca, forçando as pessoas a recuarem. Cerca de 100 pessoas permaneceram no lado libanês acima de Doheira, cerca de 15 km a leste da cidade fronteiriça costeira de Naqoura, espremendo-se na cerca a fim de falar com parentes. Nenhum soldado estava presente no lado libanês.
O Líbano abriga 350 mil refugiados palestinos, que foram forçados a fugir de suas casas com a criação de Israel em 1948 e na Guerra dos Seis Dias de 1967. Muitos palestinos reclamam que as atuais conversações israelo-palestinas provavelmente não contemplarão a volta deles.
Dos seis milhões de habitantes de Israel, cerca de um milhão são árabes que continuaram a viver na antiga Palestina após a criação do Estado judeu.
Mesmo uma fronteira pacífica que permitiria a passagem de parentes para visitas ocasionais permanece como um sonho distante. Por enquanto, arranjos de boca-em-boca estão sendo feitos para reuniões na cerca, numa esperança de se preencher vazios de 52 anos na história de famílias.
Eu sou o tio deles diga a seus vizinhos para virem no sábado porque eu vou voltar, disse Ali Suweidan, originário do que costumava ser a cidade de Basa, 10 km dentro de Israel, a um jovem no Líbano. A cidade cujos moradores árabes fugiram em 1948 não mais existe. Eu seu lugar hoje está localizada a zona industrial israelense de Shlomi.
Diga que mandei lembranças e peça para eles virem no sábado, afirmou ele, enquanto um soldado israelense o forçava a se afastar da cerca.
Zuhair Merei, 22 anos, que vive na vila libanesa de Zrariyeh, nas proximidades de Tiro, apontou para duas adolescentes do outro lado da cerca que sorriram e acenaram. Elas são minhas primas, disse ele, que então, envergonhado, perguntou de novo a elas qual era Amal e qual era Sahar.
Mohammed Sabah, 72 anos, descansava numa pedra, apoiado em sua bengala e tomando café árabe de uma jarra que lhe foi passada pela cerca.
Sabah, originário da vila de Amka na Galiléia em Israel, viajou da cidade portuária sulista libanesa de Sidon e relatou que parentes o ajudaram a subir até o topo da colina. Lá, ele conversou rapidamente com alguns familiares de sua mulher que vivem do outro lado da cerca e olhou para a terra da qual saiu como refugiado 52 anos atrás. Mesmo se este for o último dia da minha vida, eu só aceitarei a Palestina como minha terra-natal, afirmou ele.


