Retirada sérvia não satisfaz a Otan
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quarta-feira, 21 de outubro de 1998
DPA e France Presse 
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) expressou ontem descontentamento com a maneira como está acontecendo a prometida retirada das forças sérvias da província de Kosovo.
A informação foi dada pelo comandante supremo da Otan, general Wesley Clark, após relatar ao Conselho da Aliança, que está reunido em Bruxelas, a situação dos conflitos na província sérvia. Clark apresentou o resultado do seu encontro de terça-feira com o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, durante o qual deliberaram sobre os vôos de vigilância da Otan sobre Kosovo.
A Otan, que na sexta-feira passada prolongou o prazo de possíveis ataques aéreos até o próximo dia 27, insiste em uma intervenção militar para fazer com que a Sérvia retire suas forças de segurança da região de Kosovo e solucione o conflito de maneira pacífica.
Moradores de Kosovo encontraram ontem o corpo de mais uma vítima do massacre sérvio na localidade de Gornje Obrinje. Era um homem de 35 anos, que foi degolado.
Acordo ainda não foi cumprido O presidente iugoslavo Slobodan Milosevic cumpriu uma parte de seus compromissos do acordo sobre Kosovo, mas não completamente, e a Otan continua pronta para agir na próxima semana, escreve o assessor do presidente Clinton para a segurança nacional, Sandy Berger, em artigo publicado ontem. Nesse artigo, Uma possibilidade para a paz, publicado no Washington Post, Berger estima que até agora, houve um respeito parcial dos compromissos, mas não completamente, em quatro frentes.
E cita: Um cessar-fogo amplamente respeitado há duas semanas, o retorno das organizações humanitárias, uma presença sérvia mais discreta e o regresso de milhares de pessoas desabrigadas.
Mas, escreve Berger, o presidente sérvio até agora não foi suficientemente longe, suficientemente rápido, quanto à retirada das forças militares instaladas em Kosovo e das forças policiais.
Segundo Berger, a firmeza da Otan e a ameaça de ataques aéreos oferecem, entretanto, possibilidades de êxito para solucionar a crise.
Mas para manter a pressão sobre Milosevic a fim de que respeite suas obrigações, a Otan mantém o dedo no gatilho: a ordem de ativar o recurso à força está em vigor mas suspensa até 27 de outubro. No caso de um fracasso, a Otan estará então em posição de começar suas intervenções aéreas, conclui Berger.


