Imagem ilustrativa da imagem Retirada de civis de Alepo é suspensa e combates recomeçam
| Foto: George Ourfalian/AFP
Tropas do Exército patrulham bairro na zona norte de Alepo após rompimento do cessar-fogo


Alepo - Intensos combates foram retomados nesta quarta-feira (14) entre os soldados e os rebeldes em Alepo, na Síria, onde a esperança de retirada rápida de milhares de civis famintos e doentes caiu por terra. A Rússia, aliada do presidente Bashar Assad, acusou os rebeldes de ter reiniciado as hostilidades, depois de várias horas de trégua, enquanto a Turquia, que apoia a oposição, culpou as tropas do regime e seus aliados.

O acordo de evacuação firmado sob mediação de Moscou e Ancara visava permitir que civis, combatentes opositores e suas famílias deixassem a cidade, agora quase sob o total controle das forças do regime. Após uma pausa de várias horas, os ataques aéreos e os disparos de artilharia das tropas pró-regime foram retomados nos bairros ainda com presença dos insurgentes, no sul da cidade.

"A situação é terrível em Alepo", escreveu o ativista Mohammad Al-Khatib, contatado pela AFP via internet. "Os feridos e os mortos estão nas ruas, ninguém se atreve a retirá-los".

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou sobre a morte de ao menos dez pessoas nas áreas rebeldes. Além disso, ao menos sete civis morreram por disparos rebeldes contra dois bairros em mãos do governo, segundo a TV pública síria.

A conquista total de Alepo, dividida desde 2012, permite ao governo de Bashar Assad controlar as cinco maiores cidades da Síria, junto com Homs, Hama, Damasco e Latakia. Uma conquista que não teria sido possível sem a ajuda de Moscou.

Antes do reinício dos bombardeios, milhares de civis fizeram filas à espera de poder deixar as áreas rebeldes. No distrito de al-Mashhad, uma multidão de civis, carregando objetos pessoais, se reuniu nas ruas às 5 horas locais, de acordo com um jornalista da AFP. Entre eles estavam muitas crianças mal vestidas, tremendo por causa do frio. Muitos moradores passaram a noite nas calçadas, por falta de abrigo, enfrentando o frio e a chuva.

De manhã cedo, 20 ônibus estacionaram no área sob controle do regime do bairro Salaheddine, segundo a AFP. Mas o acordo de evacuação foi "suspenso". Segundo um oficial rebelde, o regime e seus aliados, principalmente os iranianos, "impuseram novas condições". Segundo um influente grupo rebelde, Nureddine al-Zinki, em Alepo, o acordo previa a evacuação "dos feridos e civis", seguidos pelos insurgentes com suas armas leves, para as regiões rebeldes da províncias de Alepo ou de Idleb.

O acordo de evacuação foi anunciado após quatro semanas de intensos bombardeios do regime que devastaram a parte leste de Alepo e após o clamor internacional provocado pelas atrocidades supostamente cometidas contra civis nos bairros cujo controle foi retomado pelo exército sírio.

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