Cerca de 600 caminhões, carregados com soja e outra cargas, estão retidos no Paraguai, desde a manhã de terça-feira, impedidos de atravessar a fronteira com o Brasil em Ciudad del Este e Salto del Guairá. A maior parte desses caminhões pertence a transportadoras paranaenses, gerando preocupação na Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar). Só em Ciudad del Este, cerca de 200 caminhões carregados estão estacionados nas imediações da aduana paraguaia, à espera de liberação da Ponte da Amizade.
A demora na liberação das cargas pode acarretar prejuízos para as empresas brasileiras e paraguaias, alertou o presidente da Fetranspar, Valmor Weiss. Ele encaminhou correspondência ao embaixador do Paraguai, no Brasil, Luis Gonzales Arias e ao cônsul do Paraguai, Leopoldo Ostertag, pedindo a liberação dos caminhões de transporte de cargas brasileiros. A entidade encaminhou a mesma correspondência ao governador Jaime Lerner, pedindo sua interferência junto ao governo paraguaio.
Segundo Weiss, o fechamento da fronteira por período indeterminado surpreendeu os transportadores brasileiros que costumam se dirigir ao Paraguai para transportar a soja rumo aos portos de Paranaguá-PR e Santos, em São Paulo. Outra preocupação é que a falta de cumprimento dos contratos de exportação pode afetar a credibilidade internacional em relação aos dois países.
A movimentação de contêineres no porto de Paranaguá em direção à Cidade de Leste, no Paraguai, também está paralisada desde terça-feira. Normalmente o entreposto paraguaio, no porto de Paranaguá, costuma enviar 10 a 15 caminhões com contêineres ao Paraguai, por dia. Os funcionários do entreposto calculam que pelo menos 10 caminhões estão em Foz do Iguaçu, impedidos de chegar àquele país, acarretando prejuízos às empresas paraguaias. A estadia de um caminhão está avaliada em US$ 100 por dia. Em relação à possibilidade de atraso no embarque da soja, isto ainda não está ocorrendo, porque a colheita está no início.
A colheita da soja no Paraguai está movimentando, por noite, aproximadamente 250 caminhões que atravessam a Ponte da Amizade. No pico da safra, em abril, o movimento normal é de aproximadamente 400 caminhões. O gerente da cooperativa Cotrefal, de Medianeira, Ovídio Zanquet, admitiu que há o risco da carga se deteriorar, se o fechamento da fronteira se prolongar. Segundo o gerente da Cotrefal, ‘‘a sorte’’ é que choveu entre segunda e terça-feira, quando a fronteira foi fechada, interrompendo a colheita. Não fosse ‘‘a contribuição’’ do clima, os silos estariam abarrotados e o Paraguai tem uma estrutura de amazenagem deficiente.

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