Londres - O Reino Unido mergulhou em incerteza e turbulência tão logo foi encerrada a contagem dos 17,4 milhões de votos que levaram, no plebiscito de quinta-feira, ao histórico rompimento do país com a União Europeia. O chamado "Brexit", a saída britânica do Reino Unido, venceu com 52% dos votos do plebiscito, mas deixou o país sem liderança para conduzir o processo de retirada e assustou o mercado financeiro.
O futuro do país parece indefinido. Os derrotados traçam um cenário catastrófico, com recessão e fuga de capitais a curto prazo. Os vencedores apostam em acordos políticos e comerciais que, apesar de precisarem ser costurados, dizem que serão extremamente promissores.
Por ora, paira a incerteza. Ainda na manhã de ontem, David Cameron, o premiê que comandou a campanha pela permanência no bloco e está no cargo desde 2010, anunciou que renunciaria, ainda que sem definir data (o Partido Conservador tem assembleia marcada para outubro). "O Reino Unido precisa de nova liderança. Como premiê, vou fazer tudo que posso para segurar o navio durante as próximas semanas e meses. Mas eu não acho que seria certo eu ser o capitão que orienta nosso país para seu próximo destino", afirmou, com a voz embargada. Com isso, Cameron deixou a legenda e o país sem saber quando começa o processo e quem será o responsável por negociar os termos da saída.
Além de perder o premiê, o Reino Unido viu nesta sexta integrantes do outro grande partido, o Trabalhista, pedirem a saída de Jeremy Corbyn de seu comando; a Escócia e a Irlanda do Norte ameaçarem dar um passo rumo à independência e assistiu ao populismo anti-imigrantes festejar em toda Europa. Para o jornal Financial Times, as turbulências equivalem a uma "crise constitucional" de grande escala.

REAÇÕES EXTERNAS
Fora do país, a surpresa não foi menor. O resultado do plebiscito derrubou bolsas mundo afora e fez líderes globais se dividirem entre críticas e ponderações em relação à decisão dos britânicos. O plebiscito provocou estimulou ainda uma onda de pedidos de consultas públicas em outros países do bloco. "A União Europeia está enfraquecida, a União Europeia está morrendo", disse o líder do partido de ultradireita Ukip, Nigel Farage, citando a possibilidade de Dinamarca, Suécia, Suíça e Itália votarem em plebiscito para se discutir o futuro desses países em relação ao bloco europeu. Por ora, contudo, o Reino Unido segue membro da UE.

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