Mergulhadores noruegueses e russos iniciaram ontem o resgate dos corpos dos tripulantes do submarino nuclear Kursk, naufragado no dia 12 de agosto, e conseguiram trazer à superfície três deles. Os cadáveres foram içados para o navio plataforma Regalia, base das operações.
Os cadáveres estavam no oitavo e no nono compartimentos da embarcação, os menos afetados pelas explosões que levaram o Kursk ao fundo do mar de Barents, durante exercícios militares da Marinha russa. As equipes conseguiram entrar no submarino depois de terem feito um buraco no casco no fim de semana. Foram necessários cinco dias para abrir essa passagem no Kursk.
O chefe do Estado-Maior da Frota do Norte da Rússia, Mikhail Motsak, informou que os mergulhadores foram submetidos a exames médicos para avaliação de suas condições de saúde após a operação, qualificada como muito arriscada. Os profissionais têm de nadar no escuro, em meio a fortes correntes, restos flutuantes da nave e espaços pequenos. Outra dificuldade é o péssimo tempo na região, assolada por fortes tormentas.
A emissora de TV russa RTR informou que havia o risco de suspenderem novamente ontem os trabalhos para evitar riscos aos profissionais.
Os dois mergulhadores que entraram no Kursk são russos e puderam ver pela primeira vez as condições dentro da embarcação. O contrato firmado com os agenciadores dos mergulhadores estipula que somente os profissionais da Rússia podem entrar na embarcação. Os russos alegam que no interior do submarino existem segredos militares. A operação está sendo conduzida pelo braço norueguês da empresa americana de serviços petrolíferos Halliburton, que enviou ao local o navio plataforma Regalia.
Oficiais da Marinha russa disseram que têm esperança de recuperar os corpos de apenas um terço dos 118 marinheiros. Os demais foram provavelmente destruídos nas poderosas explosões que provocaram o naufrágio do submarino.
O governo russo ainda não apresentou as conclusõs sobre o motivo do acidente, o pior na história naval do país. O comandante da Marinha, Vladimir Kuroyedov, continua insistindo que a causa do desastre pode ter sido uma colisão com outro submarino. ‘‘Estou 80% certo de que foi uma colisão. Dentro de dois meses, terei avaliado os outros 20% e anunciarei para o mundo quem colidiu com o Kursk’’, afirmou.

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