Monica Yanakiew
Agência Estado
De Columbia, EUA
A Carolina do Sul indicará apenas três dos 538 delegados ao colégio eleitoral, que em novembro escolherá o próximo presidente dos Estados Unidos. Mas todos estão de olho na prévia que o pequeno Estado realizará hoje para escolher qual dos pré-candidatos deve representar o Partido Republicano na disputa com o Partido Democrata, no governo há sete anos. O resultado pode definir os rumos da campanha.
Todas as pesquisas de opinião realizadas esta semana indicam que o governador do Texas, George W. Bush, será o vencedor. Ele conta com o apoio do pai, o ex-presidente George H. Bush, e de toda a máquina partidária, além de ter obtido um volume enorme de contribuições financeiras – cinco vezes maior que o de seu rival, o senador John McCain, do Arizona. Apesar dessas vantagens e de suas declarações otimistas, Bush não está seguro de sua vitória.
A crescente popularidade de McCain – o herói que sobreviveu a cinco anos e meio como prisioneiro de guerra no Vietnã e ganhou o respeito de republicanos e democratas – ainda é uma ameaça à sua candidatura.
Mas também representa um perigo para o candidato do Partido Democrata, seja ele quem for: o vice-presidente Al Gore (tido como o mais provável) ou o ex-senador Bill Bradley. Daí o interesse nacional pela prévia republicana da Carolina do Sul.
Duas pesquisas divulgadas ontem mostram que Bush está na frente de McCain, mas por pouco. E tudo pode mudar, dependendo do número de indecisos e eleitores democratas que atenderem os apelos de McCain e votarem nele.
Na Carolina do Sul, não é preciso estar registrado num partido para participar da prévia. E o senador espera obter apoio dos simpatizantes do partido do governo que, desiludidos com os escândalos envolvendo o presidente Bill Clinton, prefiram votar nele em vez de escolher Gore ou Bradley nas prévias democratas de março.
McCain espera repetir a façanha das prévias republicanas em New Hampshire, onde obteve uma vitória surpreendente. Com um estilo de campanha próprio (viaja de ônibus pelo interior dos estados realizando quatro a cinco encontros diários com os eleitores) ele derrotou Bush, obrigando-o a ser mais agressivo.
Na Carolina do Sul, ele continuou usando jatinhos para se locomover mas também reconhece que ‘‘aprendeu a lição’’ e que apertar o maior número de mãos faz diferença. Não basta fazer propaganda por televisão.
Em uma pesquisa CNN-USA Today-Gallup, Bush desponta como o favorito por 12 pontos porcentuais: ele teria apoio de 52% dos eleitores, contra 40% de McCain. Mas em outra pesquisa (da NBC News) a margem é menor. O governador do Texas teria 44% dos votos e o senador 38%. Pesquisas anteriores, no entanto, mostram empate.
Com a economia crescendo há 107 meses consecutivos, o menor índice de inflação em trinta anos e a derrota do comunismo no mundo, os eleitores americanos têm poucas reivindicações (a maior parte delas sociais) e os pré-candidatos às eleições têm propostas parecidas. Nenhum deles tem muito a ganhar apelando para os eleitores dos dois extremos. O principal fator que tem pesado nessa campanha é o caráter dos candidatos.