Repressão em protesto amplia crise iraniana
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terça-feira, 14 de abril de 1998
Kianuche Dorraine France Presse 
France PresseEnfrentamentoGrupo de manifestantes socorre ativista ferido nas ruas de Teerã: confronto acabou em feridos e presosAs manifestações em favor do prefeito de Teerã Gholamhossein Karbaschi realizadas ontem foram reprimidas com violência na Capital, aumentando assim a crise política que atinge o Irã desde a prisão de Karbashi há dez dias. Cerca de 3 mil pessoas se reuniram no anfiteatro do Ministério do Interior para uma reunião de apoio ao prefeito. Após o enfrentamento entre estudantes partidários do dirigente e jovens militantes do governo, quatro pessoas ficaram feridas e outras dez foram presas.
A violência começou quando um ativista da organização Hezbolá insultou e ameaçou Faezeh Hachemi, filha do ex-presidente Ali Akbar Hachemi Rafsandjani e voz ativa do movimento moderado. Hachemi classificou a prisão do prefeito de Teerã como uma violação judicial e expressou sua esperança de que a democracia e o desenvolvimento político consigam vencer.
O militante acusou Faezeh de querer buscar uma solução amistosa quando existem leis para castigar os delitos de corrupção na Justiça iraniana, que é dominada pelos conservadores.
Também na Universidade de Teerã houve conflitos. Após a reunião de estudantes para apoiar o prefeito e o governo moderado do presidente Mohammad Khatami, dispositivos de segurança presentes no setor dispersaram cerca de 300 manifestantes contrários à reunião. Várias pessoas foram detidas e um jornalista foi ferido no rosto.
O governo pediu no último domingo que a população não fosse às ruas para evitar o aprofundamento da crise. O Parlamento está examinando o problema. O ministro de Interior, Abdollah Nuri, um dos mais ativos defensores de Karbaschi, deve se apresentar hoje no Parlamento. Ele rebateu as críticas dos conservadores, que são maioria na casa, que reprovaram a formação de um comitê de apoio ao prefeito.


