France PresseManifestação de Ocosingo: ‘‘Jornada nacional de protesto’’Três semanas depois do massacre de 45 indígenas sem-terra no Estado mexicano de Chiapas, a tensão voltou a subir na região com a repressão a um protesto de partidos esquerdistas contra a matança. Policiais do Estado abriram fogo contra os manifestantes que empreendiam anteontem à noite uma marcha na cidade de Ocosingo, matando uma mulher e ferindo a filha dela, de 2 anos. Um jovem de 17 anos também foi baleado na repressão ao protesto.
A mulher assassinada foi identificada como Guadalupe Méndez López, de 38 anos. O bebê, ferido com um tiro no braço esquerdo, recupera-se num hospital da cidade. Tanto os sem-terra massacrados em 22 de dezembro quanto os manifestantes que enfrentaram a polícia na segunda-feira estavam vinculados ao movimento guerrilheiro Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), que há quatro anos levantou-se em armas no Estado.
A manifestação de Ocosingo era parte de uma ‘‘jornada nacional de protesto’’, convocada por partidos esquerdistas, para reivindicar o atendimento, por parte do governo federal, das exigências do EZLN, que permitiria a retomada das negocições de paz entre as duas partes. O diálogo rompeu-se há um ano e meio, quando os zapatistas acusaram o governo de estar reforçando a presença militar em Chiapas em vez de investir para amenizar os graves problemas sociais do Estado. Na Cidade do México, milhares de manifestantes reuniram-se no Zócalo, tradicional local de protestos da capital,
Desde então, líderes do EZLN têm advertido para o crescimento no número de grupos paramilitares - segundo eles, armados pela polícia local e pelo Exército - na região.

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