Represália de Israel contra palestinos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de março de 2003
Sajer Abou El Oun<br>France Presse 
Acampamento de Jabaliya, Faixa de Gaza Soldados israelenses mataram onze palestinos e feriram 140 em um ataque lançado na madrugada de ontem, na Faixa de Gaza, em represália ao atentado suicida ocorrido na véspera, em Haifa. Quarenta tanques e veículos blindados entraram depois da meia-noite no acampamento de refugiados de Jabaliya, norte da Faixa de Gaza, apoiados por helicópteros de assalto.
A tropa israelense enfrentou uma forte resistência durante as sete horas de ataque. Na retirada, para fugir a um cerco, dois tanques dispararam obuses de fragmentação, que explodiram junto a um grupo reunido na entrada da cidade, causando a morte de oito palestinos, segundo fontes palestinas.
Outros três palestinos morreram durante o ataque, entre os quais um homem de 60 anos que se encontrava em sua casa, atingida por um foguete disparado por um helicóptero.
Outra das vítimas morreu na rua em consequência de seus ferimentos e porque não pôde ser socorrida, uma vez que as ambulâncias estavam bloqueadas, indicaram fontes médicas palestinas.
Segundo a versão dada por um porta-voz militar israelense, apenas um tanque teria disparado um único obus para responder a disparos de foguetes palestinos e dez dos onze palestinos mortos seriam combatentes armados.
Entre os 140 palestinos feridos, 50 se encontram em estado grave, entre os quais um jornalista palestino da agência Reuters, o fotógrafo Ahmed Khadallah. Outros três jornalistas palestinos da Reuters também ficaram levemente feridos.
Durante o ataque contra Jabaliya, onde vivem 89.000 refugiados e é o acampamento mais povoado dos territórios palestinos, três casas foram dinamitadas pelos militares.
Por outra parte, um militante do movimento radical palestino Jihad Islâmica foi morto em um tiroteio com militares israelenses que tentaram prendê-lo em Belém, Cisjordânia.
Um porta-voz militar anunciou a prisão de um dirigente do movimento radical Hamas, Karim Ziada, e a destruição de sua casa, onde foram encontradas armas e explosivos. O exército cortou a energia em Jabaliya e nas localidades de Beit Lahia e Beit Hanun.
O ataque foi lançado depois do atentado suicida que matou quinze pessoas e feriu 40 esta quarta-feira, em Haifa, Norte de Israel.
Entre os mortos, foram identificados dois soldados e seis adolescentes, incluindo uma norte-americana de 14 anos e um árabe israelense de 13.
Depois do atentado um porta-voz do Governo israelense, Avi Pazner, advertiu que seu país efetuaria ''ações firmes contra as organizações terroristas''.


