Repórteres brasileiros são presos e vendados no Egito
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sexta-feira, 04 de fevereiro de 2011
Renata Giraldi <br> Agência Brasil 
Brasília - Enviados para o Egito para a cobertura da crise política no país, o repórter Corban Costa e o repórter cinematográfico Gilvan Rocha, da TV Brasil, foram presos, vendados e tiveram passaportes e equipamentos apreendidos. Desde a noite de quarta-feira, eles ficaram presos em uma sala, sem janela nem água, com apenas duas cadeiras e uma mesa, em uma delegacia do Cairo.
''É uma sensação horrível. Não se sabe o que vai acontecer. Em um primeiro momento, achei que seríamos fuzilados porque nos colocaram de frente para um paredão, mas, graças a Deus, isso não aconteceu'', afirmou Costa. Os repórteres devem voltar hoje ao Brasil.
Para serem liberados, foram obrigados a assinar um depoimento em árabe, no qual, segundo a tradução do policial, ambos confirmavam a disposição de deixar imediatamente o Egito. ''Tivemos que confiar no que ele [o policial] dizia e assinar o documento'', contou Costa.
Há dez dias, o Egito vive momentos de tensão em decorrência de onda de protestos contra a permanência de Hosni Mubarak na presidência. A situação se agravou anteontem, depois que manifestantes pró e contra o governo se enfrentaram nas ruas das principais cidades egípcias. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), até agora mais de 300 pessoas morreram nos confrontos e cerca de 3 mil ficaram feridas.
Outros jornalistas que estão na capital egípcia relataram ter sofrido agressões. O repórter Luiz Antônio Araujo, do jornal Zero Hora e da rede RBS, disse que foi agredido e roubado por um grupo de 50 simpatizantes do presidente egípcio. Segundo Araujo, ele foi cercado por um pelos manifestantes, que, munidos de pedras e facas, roubaram sua câmera digital e carteira.
De acordo com o jornalista, o ataque ocorreu ontem, quando ele estava perto da Praça Tahrir, no Cairo, local que se transformou em palco de violentos confrontos.


