Washington - A jornalista do The New York Times Judith Miller, presa por ter-se negado a cooperar numa investigação sobre um vazamento à imprensa de informações a respeito da identidade da agente da CIA Valerie Palme, prestou depoimento ontem, após ter sido libertada na véspera.
Judith Miller, que passou 12 semanas em uma prisão próxima a Washington, havia se negado até agora a fornecer suas fontes à promotoria. O vazamento do nome da agente é considerado crime nos Estados Unidos.
A história começou em 2003, quando o ex-embaixador americano Joseph Wilson, crítico ferrenho da posição do governo Bush sobre as armas de destruição em massa iraquianas, acusou a Casa Branca de ter revelado, em represália, que sua esposa, Valerie Plame, era agente secreta da CIA.
A divulgação da identidade da agente da CIA foi interpretada como uma tentativa de desacreditar Joseph Wilson. Segundo o The New York Times, Miller aceitou prestar depoimento ao tribunal após ter sido formalmente liberada por sua fonte do compromisso de manter a confidencialidade. No entanto, Miller só falará sobre esta única fonte.
A fonte em questão é Lewis Libby, diretor do gabinete do vice-presidente Dick Cheney, que havia recebido Miller várias vezes em julho de 2003 e manteve com ela várias conversas por telefone nessa mesma semana. Miller recusou-se a revelar a identidade da fonte diante das câmeras.
O advogado de Libby, Joseph Tate, explicou que seu cliente havia liberado Miller de sua promessa há mais de um ano, mas a jornalista fez questão de se assegurar de que ele não fazia isso por obrigação.
No entanto, continua o mistério sobre a demora da revelação, que custou a liberdade de Miller no início de julho. ''É bom estar livre'', disse Miller em comunicado divulgado por seu jornal. ''Recentemente, minha fonte me disse que eu poderia testemunhar no tribunal. Fez isto através de carta e por telefone. Concluí que minha fonte queria que eu testemunhasse'', disse Miller ao sair do tribunal.

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