O primeiro-ministro italiano, Massimo D’Alema, e o presidente dos EUA, Bill Clinton, concordaram ontem em rever as medidas de segurança para assegurar que o desastre com o teleférico italiano não se repita.
Clinton disse que ele e D’Alema entraram em um acordo para que seus ministros de Defesa revejam medidas operacionais a fim de determinar se serão necessários novos passos para se ter certeza de que os mais altos níveis de segurança sejam atingidos.
D’Alema reuniu-se com Clinton ontem em Washington, um dia depois de ter-se declarado ‘‘perplexo’’ com o veredito de uma corte marcial instalada em Camp Lejeune, na Carolina do Norte, que absolveu o piloto norte-americano acusado de ter sido o responsável por um acidente que causou a morte de 20 pessoas na Itália, em fevereiro do ano passado. O capitão Richard Ashby, de 31 anos, pilotava um avião militar que cortou os cabos de um teleférico na estação de esqui de Cavalese, nos Alpes italianos.
‘‘Os EUA devem assumir sem ambiguidades a responsabilidade pelo que ocorreu’’, disse Clinton, na entrevista coletiva que se seguiu à reunião. ‘‘Não buscamos um bode expiatório, mas esperamos que se decida quem foi o responsável (pelo acidente) para que sejam aplicadas as sanções cabíveis’’, declarou D’Alema.
Entre os mortos no episódio estão sete alemães, cinco belgas, três italianos, dois poloneses, dois austríacos e um holandês. Sem exceção, os governos de todos os países de origem das vítimas protestaram formalmente contra a decisão. O governo da Bélgica foi mais longe, pedindo explicações oficiais sobre a absolvição de Ashby.
De acordo os representantes dos parentes das vítimas, Ashby pilotava seu EA-6B Prowler a baixa altitude e em velocidade acima da permitida no momento do acidente. Os advogados de defesa argumentaram que o altímetro do avião estava com defeito e os cabos do teleférico não constavam dos mapas de navegação fornecidos à tripulação na base militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
Na cabine de comando do avião estava também o co-piloto Joseph Schweitzer, que deve ser julgado pela mesma corte marcial de Camp Lejeune. O resultado do julgamento de Ashby, porém, torna improvável que ele venha a ser condenado. ‘‘Tenho de ser muito cauteloso sobre o caso porque ele é motivo de outros processos’’, afirmou Clinton na entrevista de ontem.

mockup