Renuncia rival republicano de Clinton
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de novembro de 1998
France-Presse 
O presidente da Câmara de Representantes (speaker), Newt Gingrich, líder republicano no Congresso e principal ideólogo de seu partido, anunciou sexta-feira sua renúncia ao cargo, três dias depois dos resultados negativos obtidos nas eleições legislativas.
A renúncia de Gingrich, 55 anos, quatro anos depois de liderar a revolução conservadora que permitiu aos republicanos reconquistar a maioria no Congresso após mais de 40 anos de domínio democrata, surpreendeu a classe política norte-americana.
O representante da Geórgia - que ocupava o terceiro cargo do Estado - foi criticado severamente por seus partidários depois das eleições que, segundo os especialistas, deveriam ter fortalecido a maioria republicana no Congresso.
O próprio Gingrich havia anunciado um forte crescimento da presença republicana na Câmara com a conquista de 10 a 40 vagas a mais, e contava principalmente com o impacto do escândalo Lewinsky sobre a imagem do presidente Bill Clinton. Nas eleições não ocorreram mudanças no Senado, mas os republicanos perderam cinco membros na Câmara de Representantes, com o que a maioria republicana passou de 11 a 6 vagas.
Em Highfill, Arkansas, o presidente Clinton, por sua vez, prestou homenagem a Gingrich ao declarar que ele foi um adversário corajoso.
Gingrich anunciou sua renúncia em um breve comunicado, no qual anunciou que não voltaria a apresentar-se ao cargo de speaker.
Hoje tomei uma difícil decisão pessoal. Não serei candidato ao cargo de speaker para o 106º. período do Congresso, anunciou em seu comunicado.
O Partido Republicano necessita de unidade no Congresso, afirmou Gingrich, acrescentando que continuará fazendo todo o possível para apoiar seu partido.
Segundo seu porta-voz, Andrew Weinstein, Gingrich ainda não tomou uma decisão final, mas é pouco provável que cumpra seu mandato parlamentar.
Gingrich foi reeleito na terça-feira passada com uma ampla maioria como representante da Geórgia, mas deve deixar o Congresso antes do final do ano.
Há um ano, o representante havia começado a se afastar da extrema-direita para tentar converter-se num político centrista, mas continuava tendo uma imagem de conservador puro e radical na opinião pública, ao mesmo tempo que o setor republicano mais radical o reprovava por ter renunciado a sua ideologia.
Ante a opinião pública, sua imagem ficou marcada pelo confronto com Clinton sobre o orçamento, o que resultou no fechamento dos serviços públicos en 1995-1996. Nas eleições legislativas de novembro de 1996, os democratas utilizaram sua imagem nas campanhas publicitárias televisadas para atacar os republicanos.
Ele não se beneficiou do respeito que habitualmente é atribuído a um speaker, analisou Thomas Mann, especialista em política do Instituto Brookings.
Gingrich chegou recentemente a criticar as pessoas descontentes com seu partido, as quais classificou de ditadores de segunda classe dispostos a impor suas idéias de qualquer maneira.
Gingrich provavelmente ainda não deu sua última palavra. No comunicado de sexta-feira, também prometeu que ia desempenhar um papel importante nas próximas eleições legislativas e presidenciais de 2000.


